Por que emprenhar novilhas aos 14 meses? Parte 1

Como estamos falando em lucratividade é importante reforçar a importância da precocidade sexual para o negócio da cria.

Novilhas prenhes aos 14 meses – Agropontieri – Goiatuba – GO – foto JMMatos Produções

Em 2017 escrevemos o texto “Porque o primeiro parto tem que ser aos 24 meses”   CLIQUE AQUI PARA VER O ARTIGO, e, para fechar o ano, resolvemos revisitar o assunto. Para ser bem sincero, acho que o primeiro texto ficou “meia boca”, entende? Não que os conceitos estejam equivocados ou o que escrevemos deixou de ser verdade. É que agora podemos apresentar mais fatos e exemplos que confirmam a necessidade de diminuir a idade ao primeiro parto das matrizes de corte e, também, os desafios para que esta estratégia seja aplicada com sucesso.

Além disso, outros tantos profissionais estão na mesma campanha, como o Prof. Dr. José Luiz Moraes de Vasconcelos da UNESP de Botucatu (conhecido como Prof. Zequinha) que define a fêmea mais lucrativa da seguinte forma: “Precoce, com bezerro nascendo no cedo, desmamando pesado, que permite carcaça de qualidade e abate precoce (estação de monta curta)”.  

Como estamos falando em lucratividade é importante reforçar a importância da precocidade sexual para o negócio da cria. Nas tabelas abaixo comparamos dois sistemas de produção, um com prenhez aos 24 meses e ou outro com prenhez aos 14 meses e apresentamos o impacto da precocidade somente no faturamento (receita) da fazenda.



São R$ 365.330,00 a mais de faturamento (39,32%) quando a prenhez ocorre aos 14 meses! Não existe nenhuma outra estratégia que aumente tanto o faturamento sem aumentar a quantidade de fêmeas do rebanho.

Essa constatação é mais que suficiente para justificar o esforço para se emprenhar as bezerras aos 14 meses de idade. Mas o que é necessário para ter sucesso nessa empreitada? A genética é a base! A seleção exercida pelo Programa Nelore Qualitas de Melhoramento Genético há mais de 20 anos como base na medida de perímetro escrotal aos 15 meses de idade e no descarte de animais visualmente menos precoces (com pernas compridas e pouco comprimento de costelas) foi e é fundamental para que os rebanhos parceiros com mais de 10 anos de seleção sejam bem sucedidos em colocar em monta somente bezerras de 14 meses, não havendo mais novilhas de 24 meses em reprodução, como é apresentado na simulação das tabelas acima.

Nestes rebanhos o que foi constatado antes de iniciar inseminação das bezerras aos 14 meses é que as novilhas de 24 meses já estavam “sobrando”, ou seja, com desenvolvimento do aparelho reprodutivo e peso corporal muito acima do que é considerado ideal pelos técnicos em reprodução. Fato confirmado com índices de prenhez acima de 95% nessa categoria. Portanto, o primeiro fator a ser considerado é: as novilhas de 24 meses do seu rebanho têm genética excelente para fertilidade? Elas estão “sobrando”? É um desperdício não as emprenhar aos 14 meses?

E é com base em dados analisados nessas fazendas que apontaremos os fatores relevantes para a precocidade sexual em fêmeas Nelore.

No gráfico abaixo apresentamos a importância do peso para a prenhez aos 14 meses.

O gráfico mostra que o sucesso na Inseminação em Tempo Fixo (IATF) de bezerras aos 14 meses esteve muito relacionado com o peso. Acima de 295 Kg o índice de prenhez foi de 46,3%, valor semelhante ao obtido em fêmeas de 24 meses.

Respeitando esta lógica, quanto mais pesadas as bezerras forem desmamadas, maior a chance de elas emprenharem aos 14 meses pois será mais fácil atingirem os 295 kg. Neste sentido, recomendamos que a meta para peso à desmama aos 8 meses de idade seja de 200 Kg. Com isso, para atingir 300 Kg aos 14 meses, as bezerras devem ganhar 0,555 kg/dia após a desmama. Esse peso de 300 kg é facilmente atingido por bezerras que nascem de julho a outubro como mostram os gráficos abaixo. Além de serem mais pesadas à desmama, estas bezerras ganham mais peso após a desmama.

Portanto, o sucesso na prenhez aos 14 meses depende de:

Genética + 200 kg Peso de desmama + 0,555 kg/dia após a desmama = 300 Kg aos 14 meses = 45% de prenhez na IATF

O grande desafio da equação acima está em garantir o desempenho de 0,555 kg/dia após a desmama, uma vez que as bezerras são desmamadas a partir de abril e enfrentarão o período seco até serem inseminadas em outubro/novembro. Para tanto, existem várias estratégias de suplementação para garantir esse desempenho:

  1. Suplementação à pasto com ração – consumo variando de 0,5 a 1,0% do peso vivo;
  2. Confinamento à base de silagem (milho, sorgo, capim) mais ração – consumo variando de 0,5 a 1,0% do peso vivo;
  3. Suplementação à pasto de integração lavoura-pecuária – consumo de 0,1 a 0,3% do peso vivo.

Mas, para que seja possível eliminar a categoria de novilhas de 24 meses do rebanho, é necessário que 50% das bezerras desmamadas na fazenda desmamem um bezerro aos 24 meses. Nas fazendas parceiras do Qualitas não são 100% das bezerras desmamadas que são inseminadas aos 14 meses. As piores bezerras, tanto por baixo desempenho quanto por defeitos identificados na avaliação visual, não são inseminadas e serão descartadas. O percentual varia de 5 a 25% do total de bezerras. Assim, é necessária uma estratégia de inseminação que garanta que no mínimo 50% delas desmamem um bezerro.

Apresentamos abaixo o protocolo nutricional e os resultados da estação de monta de 45 dias da Agropontieri de Goiatuba – GO, parceira do Qualitas desde o ano 2000. As bezerras nasceram de agosto a outubro de 2014.

– Suplementação: Silagem de milho + ração – 0,5% do peso vivo de julho a outubro
– Peso de desmama: 217,8 Kg
– Ganho de peso da desmama aos 14 meses: 0,635 kg/dia
– Peso aos 14 meses: 353,1 kg
– Protocolo reprodutivo:

1) Pré-indução de cio – 24 dias antes do início do protocolo de IATF

2) 1ª IATF

3) Observação de cio de retorno e inseminação – 17º ao 23º dia após a 1ª IATF

4) Diagnóstico de gestação 30 dias após a 1ª IATF

5) 2ª IATF nas fêmeas vazias

Resultados reprodutivos:

Estes resultados mostram que o nascimento na época certa e a superação de todas as metas (genética e ganho de peso) para todos os fatores importantes para a precocidade sexual garantiram o sucesso da estratégia. Com a taxa de desmama de 66,96% não só a reposição das matrizes vazias foi garantida, mas o rebanho de fêmeas na verdade aumentou, aumentando também a produção de bezerros.

Entretanto, outras fazendas também conseguem atingir mais de 50% de desmama nas bezerras prenhes aos 14 meses, adotando as outras estratégias nutricionais que apresentamos e também fazendo até uma ou duas IATFs mais repasse com touro ou três IATFs sem repasse. O que confirma que a genética e o ganho de peso são mais importantes que a estratégia adotada.

Na Parte 2 deste texto analisaremos os desafios encontrados após as bezerras emprenharem aos 14 meses e o impacto da precocidade sexual na lucratividade da fazenda, considerando a necessidade do aporte nutricional de qualidade para atingir o peso ideal para a inseminação.

Mas o mais importante para ter sucesso com a precocidade sexual você já sabe: suas novilhas de 24 meses estão “sobrando”?

Grande abraço, boas festas e inté 2019!





Autor

Leonardo Souza
Leonardo Souza
Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.

Comentários

Boi Gordo | R$/@

16/08/2019 | Scot Consultoria
Região À vista 30 dias
Barretos/SP 153,50 155,50
Araçatuba/SP 153,50 155,50
Triângulo/MG 148,50 150,50
B.Horizonte/MG 148,50 150,50
Norte/MG 150,00 152,00
Sul/MG 145,50 147,50
Goiânia/GO 140,00 142,00
Reg. Sul/GO 140,50 142,50
Dourados/MS 144,00 146,00
C. Grande/MS 144,00 146,00
Três Lagoas/MS 142,00 144,00
Oeste (kg)/RS 5,15 5,25
Pelotas (kg)/RS 5,15 5,25
Sul/BA 149,50 152,50
Oeste/BA 152,50 154,50
Norte/MT 136,00 138,00
Sudoeste/MT 139,00 141,00
Cuiabá*/MT 139,00 141,00
Sudeste/MT 138,50 141,50
Noroeste/PR 149,50 151,50
Oeste/SC 147,00 148,50
Oeste/MA 140,00 142,00
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Marabá/PA 143,00 145,00
Redenção/PA 143,00 145,00
Paragominas/PA 144,50 146,50
Sudeste/RO 139,00 141,00
Sul/TO 143,50 145,50
Norte/TO 145,00 147,00
Acre 128,50 130,50
ES 143,00 145,00
RJ 146,00 148,00

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