O caminhar da pecuária brasileira

Porém, as adversidades econômicas que envolveram o país até meados de 1990, não permitiram muitos avanços na pecuária.

Até a década de 80, o mercado do boi era visto como uma válvula de escape para preservação de capital já que a economia estava em ruínas e a inflação em patamares fenomenalmente altos.

Esse cenário, consequentemente, manteve a produtividade média da pecuária abaixo de 1@/ha/ano.

Com o advento do plano real, a economia foi reconstruída e investimentos no setor começaram a serem feitos, retomando um processo de desenvolvimento na pecuária.  

Evolução da produtividade

Ao longo dos anos a pecuária de corte passou por diversas mudanças e evoluções.

O pecuarista entendeu as pastagens como uma cultura agrícola, que deve ser manejada e adubada para melhor aproveitamento da terra.

O desenvolvimento de novas técnicas de manejo e uso de tecnologia permitiu a otimização da área já ocupada pela pecuária sem que houvesse a necessidade de expansão em novas áreas.

A partir de 1995 a área ocupada com pastagens começou a diminuir, enquanto o rebanho nacional continuava a aumentar. A taxa de lotação passou de 0,60 para 1,15 cabeça por hectare de 1970 para 2017 (IBGE). Um crescimento de 91,7%!

Figura 1. 
Relação entre a área de pastagem e o rebanho brasileiro.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

A produção de carne, por sua vez, foi gradativamente aumentando e passamos de 1,85 milhão de toneladas em 1970 para 9,90 milhões de toneladas em 2018 (USDA). Um crescimento estupendo de 435,1%.

Isso corresponde a um salto de produtividade de 0,92@/ha/ano para 4,40@/ha/ano, no mesmo período, veja na figura 2. Um crescimento de 378,3% em produtividade.

E, a atividade que era extensiva e extrativista melhorou os índices produtivos e reprodutivos do rebanho e ganhou espaço em âmbito internacional.

Figura 2.
Evolução da produtividade média no Brasil em @/ha/ano.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / USDA / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Os gigantes da pecuária

A vantagem em relação aos concorrentes é gritante. Todas as características edafoclimáticas brasileiras facilitam a produção em pasto, o que torna a nossa produção competitiva comparada com os outros países, onde a maior parte dos bovinos precisa ser confinado durante a engorda.

A produtividade em 2018, em arrobas por hectare por ano, em pasto, nos Estados Unidos, maior produtor de carne do mundo, foi 3,10. Para a Austrália, grande referência no setor também, essa relação foi ainda menor, 0,45@/ha/ano (USDA e ABS).

O inverno rigoroso dos Estados Unidos e o deserto existente na Austrália não permitem que esses países sejam tão eficientes quanto o Brasil na produção em pasto.

Mas é importante ficar de olho em outros índices produtivos dos concorrentes para buscar eficiência.

Um bom exemplo é o peso médio da carcaça no Brasil que em 2018 foi de 250,6kg, enquanto que na Austrália e Estados Unidos foi de 278,9kg e 364,4kg, respectivamente.

Para ilustrar, a Scot Consultoria desenvolveu uma simulação demonstrando o potencial de aumento na produção de carne bovina nacional caso o Brasil possuísse os índices produtivos equiparados aos Estados Unidos e Austrália. 

Figura 3. 
Simulações do aumento na produção de carne nacional com índices produtivos comparados aos dos Estados Unidos e Austrália. 

*Peso médio da carcaça australiana = 278,9kg.
** Taxa de desfrute dos EUA = 25,4%.
Fonte: USDA / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Nessas condições, se mantivéssemos a área de pastagem existente hoje, a produtividade média do Brasil saltaria de 4,4@ para 8,9@/ha/ano no cenário em que ambos os índices produtivos fossem melhorados.

Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as possibilidades de aumento de produção, são enormes. O Brasil possui espaço, clima e as condições necessárias para que possamos melhorar a produção e nos tornarmos os mais eficientes e os mais competitivos internacionalmente.

Fontes:

Banco de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (UDSA).

Banco de dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Banco de dados Australian Burian Statistics (ABS).

Banco de dados da Scot Consultoria.

por Letícia Vecchi

Pecuarista pode lucrar mais de R$ 500 por hectare produzindo boi de 20 arrobas aos 20 meses [vídeo]

Para Souza, este é um dos passos para o pecuarista sair de um lucro médio menor do que R$ 30 por hectare na operação pecuária, conformou apontou recentemente o levantamento do Benchmarking 2017/18, para quase R$ 500, que é aproximadamente a média dos pecuaristas top rentáveis.

Em entrevista à reportagem do Giro do Boi, Leonardo Souza listou os pontos-chave para o pecuarista executar o plano e elevar seu resultado:

– Emprenhar novilhas Nelore aos 14 meses;
– Descartas as fêmeas vazias ao final da estação de monta;
– Fazer uma estação de monta curta – 70 dias no máximo;
– Abater animais até os 20 meses de idade.

“O que é claro para nós é que o animal que é abatido com três anos ou mais, a margem de lucro da engorda é muito baixa. Se a gente insistir neste sistema de produção, a gente não vai ter sucesso. Então nós precisamos reduzir a idade de abate”, indicou o veterinário.

“Abater os animais com no máximo dois anos de idade. É aí onde você tem maior margem dentro da atividade de engorda. Quando você tem essa situação, é possível, dizendo de uma maneira simplista, sair de uma pecuária como o (Antônio) Chaker está mostrando hoje de R$ 30 ou R$ 40 reais de lucro por hectare para R$ 500, que é a experiência que a gente tem dentro do Qualitas. A gente tem gente até chegando a R$ 1.200 de resultado por hectare. E não é possível a gente atingir isso se a gente não foi mais intensivo no sistema de produção”, acrescentou.

Para alcançar esta meta, complementou o diretor do Qualitas, o animal deve ganhar ao menos 675 g por dia para chegar aos dois anos perto de 16@ aos 20 meses, o que seria uma faixa mínima de peso ideal. “Se você fizer isso, já é o suficiente para você ter um resultado de R$ 500 de lucro por hectare. Então essa velocidade, fazer com o que o animal ganhe peso mais rápido é fundamental para que a margem da atividade seja atrativa e seja competitiva com as outras atividades, como a agricultura”, afirmou.

Confira a entrevista completa de Leonardo Souza:

Nova pesquisa: Emissões de metano do gado não têm efeito detectável no clima

“Nossa principal conclusão é que não há necessidade de emissões antropogênicas de gases de efeito estufa (GEEs), e muito menos de emissões geradas pelo gado, para explicar a mudança climática. O clima sempre mudou, e até mesmo o aquecimento atual é provavelmente impulsionado por fatores naturais.

O potencial de aquecimento das emissões antropogênicas de GEE foi exagerado, e os impactos benéficos das emissões de CO2 pela natureza, agricultura e segurança alimentar global foram sistematicamente suprimidos, ignorados ou pelo menos minimizados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) e outras agências da ONU (Nações Unidas).

Além disso, expomos importantes deficiências metodológicas nas instruções e aplicações do IPCC e da FAO (Food Agriculture Organization) para a quantificação da parte de origem humana das emissões de gases de efeito estufa não-CO2 dos agroecossistemas.

No entanto, até o momento, esses erros fatais foram inexoravelmente propagados pela literatura científica.

Finalmente, não conseguimos encontrar uma impressão digital de gado doméstica clara, nem na distribuição geográfica do metano nem na evolução histórica da concentração atmosférica média de metano.”

Pontos chave:

  1. “A fim de obter uma parte efetiva das emissões dos ecossistemas manejados, é preciso subtrair as emissões de linha de base dos respectivos ecossistemas nativos ou dos ecossistemas pré-geridos pelas mudanças climáticas daqueles dos agroecossistemas de hoje. A omissão dessa correção leva a uma superestimação sistemática das emissões de GEE não CO2 geradas em propriedades rurais.

As publicações científicas geralmente não levam isso em consideração, pois as emissões de CH4 e N2O nascidas na fazenda são consistentemente interpretadas em um nível de 100% como uma fonte antropogênica de GEE adicional, assim como o CO2 gerado pelo combustível fóssil. Como as mencionadas diretrizes do IPCC [2007] são tomadas como referência última, essa deficiência metodológica severa propagou-se pela literatura científica ”.

  1. “Manchas de esterco concentram o nitrogênio ingerido de lugares espalhados pelo pasto. Nichols et al. [2016] não encontraram diferenças significativas entre os fatores de emissão dos fragmentos e do resto do pasto, o que significa que a mesma quantidade de óxido nitroso é emitida, independentemente de a forragem passar ou não pelos intestinos do gado. No entanto, o IPCC e a FAO consideram erroneamente que todo o óxido nitroso que vaza do esterco é gerado pelo gado e, portanto, produzido pelo homem ”.
  2. “Entre 1990 e 2005, a população mundial de gado aumentou em mais de 100 milhões de cabeças (segundo as estatísticas da FAO). Durante esse tempo, a concentração atmosférica de metano estabilizou-se completamente. Essas observações empíricas mostram que a pecuária não é um ator significativo no orçamento global de metano [Glatzle, 2014]. Essa apreciação foi corroborada por Schwietzke et al. [2016], que sugeriu que as emissões de metano da indústria de combustíveis fósseis e a infiltração geológica natural foram 60-110% maiores do que se pensava anteriormente. ”
  3. “Ao olhar para a distribuição global das concentrações médias de metano, conforme medidas pela ENVISAT (Satélite Ambiental) [Schneising et al., 2009] e a distribuição geográfica da densidade animal doméstica, respectivamente [Steinfeld et al., 2006], não foi encontrada relação entre os dois critérios [Glatzle, 2014]. ”
  4. “Embora as estimativas mais recentes de emissões anuais de metano provenientes do gado tenham sido 11% superiores às estimativas anteriores [Wolf et al., 2017], ainda não podemos ver nenhuma impressão digital visível na distribuição global de metano.
  5. “A ideia de uma contribuição considerável da pecuária para o orçamento global de metano depende de cálculos teóricos de baixo para cima. Mesmo em estudos recentes, por exemplo, [Mapfumo et al., 2018], apenas as emissões por animal são medidas e multiplicadas pelo número de animais. Interações ecossistêmicas e linhas de base ao longo do tempo e do espaço são geralmente ignoradas [Glatzle, 2014]. Embora um grande número de publicações, como o excelente relatório mais recente do FCRN (Food Climate Research Network) [2017], discuta extensivamente os potenciais de sequestro ecossistêmico e as fontes naturais de GEEs, eles não consideram as emissões de linha de base dos respectivos ecossistemas nativos quando avaliarm emissões de gases de efeito estufa não-CO2 geradas pelo homem a partir de ecossistemas gerenciados. Isto implica uma estimação exagerada sistemática do potencial de aquecimento, particularmente quando se assume uma sensibilidade climática considerável às emissões de GEE ”.
  6. “Não conseguimos encontrar uma impressão digital do rebanho doméstico nem na distribuição geográfica do metano nem na evolução histórica da concentração atmosférica de metano. Consequentemente, na ciência, na política e na mídia, o impacto climático das emissões antropogênicas de GEE foi sistematicamente superestimado. Emissões de GEE provenientes do gado têm sido interpretadas principalmente isoladas de seu contexto ecossistêmico, ignorando sua significância desprezível dentro do equilíbrio global. Não há evidência científica, qualquer que seja, de que o gado doméstico possa representar um risco para o clima da Terra ”.
  7. “[E] ven LA Coluna de Chefs de LA [Zwick, 2018], apesar de assumir um grande impacto do metano no aquecimento global, chegou à conclusão: ‘Quando o metano é colocado num contexto mais amplo do que redutivo, todos nós temos parar de culpar o gado (‘vacas’) pela mudança climática. ‘”

Fonte: https://climatechangedispatch.com.

Por que emprenhar novilhas aos 14 meses? Parte 2

Vaca que emprenhou aos 14 meses com bezerra ao pé – Faz. Capivara – Piacatu – SP

Leonardo Nishimoto Souza – Qualitas Melhoramento Genético
Josinaldo Zanotti – Geagro

Conforme combinado no último texto CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO, continuaremos a justificar a necessidade de se reduzir a idade ao primeiro parto das vacas. Agora analisaremos os desafios encontrados após as bezerras emprenharem aos 14 meses e o impacto da precocidade sexual na lucratividade da fazenda.


Devemos considerar a necessidade de aporte nutricional de qualidade para atingir o peso ideal para a inseminação e, além disso, garantir a reconcepção após o parto e à desmama de um bezerro de qualidade, como o da foto acima. A foto realmente tem muito a dizer. Ela foi tirada na Faz. Capivara de Piacatu – SP, parceira do Programa de Melhoramento Genético Nelore Qualitas desde 1994. Portanto, quando eles iniciaram a inseminação das bezerras aos 14 meses em 2015, as novilhas de 24 meses estavam mais do que “sobrando”.


Vejam que a qualidade da bezerra não é por acaso. Reparem a excelente condição corporal da vaca. E com um pouco de vontade, também é possível ver a mesma condição nas demais vacas e bezerros da foto. Isso é reflexo não apenas da excelente nutrição que a bezerra recebeu antes de emprenhar aos 14 meses mas, principalmente, após a prenhez até ela emprenhar novamente após o parto. No caso das vacas da foto, elas atingiram 89,0% de prenhez, mesmo parindo aos 24 meses.

No primeiro texto mostramos a necessidade de atingir pelo menos 0,555 kg/dia de ganho da desmama até os 14 meses para que as bezerras atinjam 300 kg de peso vivo. Agora, alertamos que o ganho de peso continue em pelo menos 0,400 Kg/dia até o parto, garantindo pelo menos 420 kg de peso no momento do parto para que após o parto esta matriz continue com excelente condição corporal para produzir leite e, principalmente, para emprenhar novamente. Portanto, o protocolo nutricional para se ter sucesso na precocidade sexual começa na desmama da bezerra e vai até a segunda estação de monta, dos 8 aos 27 meses de idade. O que realmente importa, é ter duas prenhezes até os 2 anos de idade!

Essa realmente não é uma tarefa fácil. Nos rebanhos participantes do Qualitas os maiores problemas encontrados são as perdas de gestação que ocorrem após o diagnóstico de gestação das bezerras de 14 meses até o parto. Nos rebanhos que estão iniciando o trabalho de precocidade sexual foram verificadas perdas de até 20% do diagnóstico de gestação até o parto! Mas é interessante verificar que nas fazendas que já estão praticando a precocidade sexual a mais tempo este problema vai se reduzindo. A nossa suposição é que a própria genética vai melhorando uma vez que as fêmeas que perdem a gestação da prenhez aos 14 meses são descartadas do rebanho, só permanecendo a genética das fêmeas que emprenharam aos 14 meses e conseguiram desmamar um bezerro.

Na tabela abaixo, apresentamos o exemplo da Agropontieri de Goiatuba – GO que iniciou a inseminação das fêmeas aos 14 meses em 2012.

As perdas do diagnóstico de gestação até o parto foram de 6% em relação ao total de bezerras prenhes, sendo 4% entre mortes embrionárias e abortos pré-parto e 2% de perdas por dificuldade de parto (distocias) e, neste caso, inclusive com a morte das novilhas. Apesar dos acasalamentos serem feitos somente com touros com DEP para baixo peso ao nascimento, ainda assim corre-se o risco de perder tanto a vaca como o bezerro no momento do parto. Portanto, recomendamos sempre utilizar touros provados para DEP negativa para peso ao nascimento em bezerras de 14 meses. Só assim é possível evitar esse problema. Foram perdidos mais 3 bezerros após o nascimento, totalizando 9% de perdas do diagnóstico de gestação até a desmama. A média das fazendas participantes do Benchmarking Inttegra 2017/2018 do nosso amigo Antônio Chaker El-Memari Neto para o indicador de perdas da prenhez até ao desmame foi de 12,1% e a média das melhores 30% para esse indicador foi de 7,5%.

Agora apresentaremos o aumento de desembolso por bezerra com um exemplo de protocolo nutricional suficiente para garantir a produção de 2 prenhezes até os 2 anos de idade. Assim poderemos demonstrar o aumento da lucratividade que esta estratégia permite.

Este protocolo é dividido em fases:
9 a 13 meses de idade – R$ 2,50/dia de gasto com suplementação (silagem + ração com consumo de 0,5% do peso vivo ou pasto + ração com consumo de 1,0% do peso vivo);
14 a 16 meses de idade – R$ 1,20/dia de gasto com suplementação (ração com consumo de 0,5% do peso vivo);
17 a 27 meses de idade – R$ 0,80/dia de gasto com suplementação (proteinado com consumo de 0,3% do peso vivo).

Com isso o desembolso total no período é R$ 756,90 para cada fêmea que emprenhar aos 14 meses. Para as que não emprenharem a suplementação termina aos 20 meses de idade com um custo de R$ 594,82 por fêmea, quando elas são vendidas com 14 arrobas.

Considerando estes valores e comparando o resultado por hectare dos dois sistemas de produção: 1 com prenhez aos 24 meses e o outro com prenhez aos 14 meses, temos as seguintes diferenças:

O aumento da lucratividade é explicado segundo o levantamento realizado pela Geagro, empresa do nosso amigo Josinaldo Zanotti, franqueado Inttegra apresentado no evento “O sucesso deixa rastros” em dezembro de 2018 em Cuiabá-MT. A propósito não deixem de adquirir o livro “Como Ganhar Dinheiro na Pecuária – Os segredos da gestão descomplicada”, que o Antônio Chaker acabou de lançar (www.inttegra.com).

O estudo identificou os seguintes pontos de mudanças técnicas e financeiras dos dois sistemas:

Para cada 0,100 Kg/dia a mais de ganho médio diário, o lucro aumenta em R$ 277,00/ha! É por isso que o sistema de prenhez aos 14 meses é tão impactante. Ele faz com que, ao contrário das vacas adultas que aumentam o ganho de peso global da fazenda somente através dos bezerros, as bezerras que emprenham aos 14 meses além de contribuírem para o aumento com mais bezerros sendo produzidos, também estão ganhando peso. Portanto, não há nenhuma outra estratégia que aumente tanto o ganho de peso em um rebanho de cria quanto a prenhez das fêmeas ao 14 meses!

Vimos que os desafios são grandes mas não são impossíveis pois já tem pecuarista muito competente fazendo.
Para ser bem sucedido:

  1. Invista na genética do seu rebanho;
  2. Reduza a sua estação de monta;
  3. Cuide bem das bezerras após a desmama;
  4. Atenção para os touros utilizados na inseminação/cobertura das bezerras;
  5. Não descuide delas após a prenhez aos 14 meses, elas precisam ser bem cuidadas até emprenhar a segunda vez.

O resultado será um rebanho de cria altamente produtivo e lucrativo. E você ficará extremamente orgulhoso das suas vacas!
Grande abraço e inté!

Por que emprenhar novilhas aos 14 meses? Parte 1

Novilhas prenhes aos 14 meses – Agropontieri – Goiatuba – GO – foto JMMatos Produções

Em 2017 escrevemos o texto “Porque o primeiro parto tem que ser aos 24 meses”   CLIQUE AQUI PARA VER O ARTIGO, e, para fechar o ano, resolvemos revisitar o assunto. Para ser bem sincero, acho que o primeiro texto ficou “meia boca”, entende? Não que os conceitos estejam equivocados ou o que escrevemos deixou de ser verdade. É que agora podemos apresentar mais fatos e exemplos que confirmam a necessidade de diminuir a idade ao primeiro parto das matrizes de corte e, também, os desafios para que esta estratégia seja aplicada com sucesso.

Além disso, outros tantos profissionais estão na mesma campanha, como o Prof. Dr. José Luiz Moraes de Vasconcelos da UNESP de Botucatu (conhecido como Prof. Zequinha) que define a fêmea mais lucrativa da seguinte forma: “Precoce, com bezerro nascendo no cedo, desmamando pesado, que permite carcaça de qualidade e abate precoce (estação de monta curta)”.  

Como estamos falando em lucratividade é importante reforçar a importância da precocidade sexual para o negócio da cria. Nas tabelas abaixo comparamos dois sistemas de produção, um com prenhez aos 24 meses e ou outro com prenhez aos 14 meses e apresentamos o impacto da precocidade somente no faturamento (receita) da fazenda.



São R$ 365.330,00 a mais de faturamento (39,32%) quando a prenhez ocorre aos 14 meses! Não existe nenhuma outra estratégia que aumente tanto o faturamento sem aumentar a quantidade de fêmeas do rebanho.

Essa constatação é mais que suficiente para justificar o esforço para se emprenhar as bezerras aos 14 meses de idade. Mas o que é necessário para ter sucesso nessa empreitada? A genética é a base! A seleção exercida pelo Programa Nelore Qualitas de Melhoramento Genético há mais de 20 anos como base na medida de perímetro escrotal aos 15 meses de idade e no descarte de animais visualmente menos precoces (com pernas compridas e pouco comprimento de costelas) foi e é fundamental para que os rebanhos parceiros com mais de 10 anos de seleção sejam bem sucedidos em colocar em monta somente bezerras de 14 meses, não havendo mais novilhas de 24 meses em reprodução, como é apresentado na simulação das tabelas acima.

Nestes rebanhos o que foi constatado antes de iniciar inseminação das bezerras aos 14 meses é que as novilhas de 24 meses já estavam “sobrando”, ou seja, com desenvolvimento do aparelho reprodutivo e peso corporal muito acima do que é considerado ideal pelos técnicos em reprodução. Fato confirmado com índices de prenhez acima de 95% nessa categoria. Portanto, o primeiro fator a ser considerado é: as novilhas de 24 meses do seu rebanho têm genética excelente para fertilidade? Elas estão “sobrando”? É um desperdício não as emprenhar aos 14 meses?

E é com base em dados analisados nessas fazendas que apontaremos os fatores relevantes para a precocidade sexual em fêmeas Nelore.

No gráfico abaixo apresentamos a importância do peso para a prenhez aos 14 meses.

O gráfico mostra que o sucesso na Inseminação em Tempo Fixo (IATF) de bezerras aos 14 meses esteve muito relacionado com o peso. Acima de 295 Kg o índice de prenhez foi de 46,3%, valor semelhante ao obtido em fêmeas de 24 meses.

Respeitando esta lógica, quanto mais pesadas as bezerras forem desmamadas, maior a chance de elas emprenharem aos 14 meses pois será mais fácil atingirem os 295 kg. Neste sentido, recomendamos que a meta para peso à desmama aos 8 meses de idade seja de 200 Kg. Com isso, para atingir 300 Kg aos 14 meses, as bezerras devem ganhar 0,555 kg/dia após a desmama. Esse peso de 300 kg é facilmente atingido por bezerras que nascem de julho a outubro como mostram os gráficos abaixo. Além de serem mais pesadas à desmama, estas bezerras ganham mais peso após a desmama.

Portanto, o sucesso na prenhez aos 14 meses depende de:

Genética + 200 kg Peso de desmama + 0,555 kg/dia após a desmama = 300 Kg aos 14 meses = 45% de prenhez na IATF

O grande desafio da equação acima está em garantir o desempenho de 0,555 kg/dia após a desmama, uma vez que as bezerras são desmamadas a partir de abril e enfrentarão o período seco até serem inseminadas em outubro/novembro. Para tanto, existem várias estratégias de suplementação para garantir esse desempenho:

  1. Suplementação à pasto com ração – consumo variando de 0,5 a 1,0% do peso vivo;
  2. Confinamento à base de silagem (milho, sorgo, capim) mais ração – consumo variando de 0,5 a 1,0% do peso vivo;
  3. Suplementação à pasto de integração lavoura-pecuária – consumo de 0,1 a 0,3% do peso vivo.

Mas, para que seja possível eliminar a categoria de novilhas de 24 meses do rebanho, é necessário que 50% das bezerras desmamadas na fazenda desmamem um bezerro aos 24 meses. Nas fazendas parceiras do Qualitas não são 100% das bezerras desmamadas que são inseminadas aos 14 meses. As piores bezerras, tanto por baixo desempenho quanto por defeitos identificados na avaliação visual, não são inseminadas e serão descartadas. O percentual varia de 5 a 25% do total de bezerras. Assim, é necessária uma estratégia de inseminação que garanta que no mínimo 50% delas desmamem um bezerro.

Apresentamos abaixo o protocolo nutricional e os resultados da estação de monta de 45 dias da Agropontieri de Goiatuba – GO, parceira do Qualitas desde o ano 2000. As bezerras nasceram de agosto a outubro de 2014.

– Suplementação: Silagem de milho + ração – 0,5% do peso vivo de julho a outubro
– Peso de desmama: 217,8 Kg
– Ganho de peso da desmama aos 14 meses: 0,635 kg/dia
– Peso aos 14 meses: 353,1 kg
– Protocolo reprodutivo:

1) Pré-indução de cio – 24 dias antes do início do protocolo de IATF

2) 1ª IATF

3) Observação de cio de retorno e inseminação – 17º ao 23º dia após a 1ª IATF

4) Diagnóstico de gestação 30 dias após a 1ª IATF

5) 2ª IATF nas fêmeas vazias

Resultados reprodutivos:

Estes resultados mostram que o nascimento na época certa e a superação de todas as metas (genética e ganho de peso) para todos os fatores importantes para a precocidade sexual garantiram o sucesso da estratégia. Com a taxa de desmama de 66,96% não só a reposição das matrizes vazias foi garantida, mas o rebanho de fêmeas na verdade aumentou, aumentando também a produção de bezerros.

Entretanto, outras fazendas também conseguem atingir mais de 50% de desmama nas bezerras prenhes aos 14 meses, adotando as outras estratégias nutricionais que apresentamos e também fazendo até uma ou duas IATFs mais repasse com touro ou três IATFs sem repasse. O que confirma que a genética e o ganho de peso são mais importantes que a estratégia adotada.

Na Parte 2 deste texto analisaremos os desafios encontrados após as bezerras emprenharem aos 14 meses e o impacto da precocidade sexual na lucratividade da fazenda, considerando a necessidade do aporte nutricional de qualidade para atingir o peso ideal para a inseminação.

Mas o mais importante para ter sucesso com a precocidade sexual você já sabe: suas novilhas de 24 meses estão “sobrando”?

Grande abraço, boas festas e inté 2019!





[Vídeo] Menos consumo e mais lotação: a receita do programa Qualitas para aumentar em 16,5% o lucro de seus associados

No encontro ocorrido, o objetivo foi a divulgação dos resultados das provas de eficiência alimentar e ultrassonografia de carcaça dos touros. Na edição 2018, foram provados 120 indivíduos e descobertos 14 animais em destaque para as características, tendo já sido coletadas 10 mil doses de sêmen dos animais, que serão os responsáveis pelo progresso genético dos rebanhos do Qualitas. Leonardo reforçou que os reprodutores devem ter maior desempenho, mas também combinar esta qualidade com eficiência no custo da arroba produzida. “Se a gente juntar as duas coisas, vai ter a genética certa para ser utilizada”, raciocinou.

Durante sua entrevista, Souza destacou a missão do programa de melhoramento genético, que é o desenvolvimento de um sistema de produção cuja convicção é obter lucratividade por meio de uma genética ajustada.

“O que falta para o pecuarista é um rumo. Na verdade é planejamento. Como é que a minha fazenda tem que ser, como é que eu tenho que produzir, quais são os pontos que eu tenho que me preocupar que vão realmente me fazer ganhar mais dinheiro ou me manter na atividade? Esse foi o primeiro passo que com a própria história do Qualitas evoluiu para isso. Em um primeiro momento a gente fazer a seleção para melhorar os animais, mas realmente qual o objetivo desta seleção, o que isso vai trazer de resultado financeiro para este pecuarista, quais são as características realmente importantes do ponto de vista econômico? […] Vamos colocar foco naquilo que realmente é importante para o negócio”, informou.

“A eficiência alimentar vai não só diminuir o consumo de suplementos pelos animais, o que já tem um impacto violento. Se você diminuir o consumo de suplemento em 10% e o animal for mais eficiente, isso impacta em 6,5% a mais no lucro por hectare. E se você tem um animal que come menos assim você vai poder aumentar a lotação da sua fazenda. Se você aumenta 10% a lotação, você vai aumentar diretamente 10% de lucro. Então para atingir este objetivo do Qualitas, nós temos até uma meta. Para 2027 a gente quer alcançar 10% a menos de consumo e 10% a mais de lotação em todas as fazendas do Qualitas só selecionando para eficiência alimentar. […] Nós vamos ampliar em 16,5% o lucro por hectare dessas fazendas”, calculou Leonardo Souza.

Veja mais informações na entrevista completa concedida por Leonardo Souza ao Giro do Boi:

Os namorados de suas vacas já foram escolhidos?

Foto: Faz. Capivara – Piacatu – SP

Leonardo Nishimoto Souza e Émerson Guimarães de Moraes (sócios diretores da Qualitas Melhoramento Genético)

A escolha dos touros (os namorados de suas vacas) é a decisão mais importante que o criador realiza, do ponto de vista de planejamento estratégico do seu negócio. A genética utilizada este ano irá definir:

1) a qualidade dos animais desmamados daqui a dois anos;

2) a qualidade dos machos abatidos daqui a três anos. Se acertou na escolha, eles estarão gordos até os 2 anos de idade;

  1. e também das fêmeas paridas daqui a três anos. Se você escolheu corretamente:
    1. aos 14 meses elas estarão prenhes;
    2. aos 24 meses paridas;
    3. aos 26 prenhes novamente;
    4. e aos 32 meses desmamando bezerros pesados.

Bom, isso se os namorados escolhidos forem realmente “príncipes encantados”.

Mas se a escolha foi ruim:

  1. a frustação já começa na desmama, com bezerros leves, que ganharão pouco peso e que serão abatidos somente com 3 anos ou mais;
  2. nas fêmeas que o estrago é gigantesco. O baixo desempenho desde a desmama não permite que:
    1. elas atinjam 300 kg para emprenhar aos 14 meses, atrasando em um ano a entrada em reprodução.
    2. aquelas que emprenharem aos 24 meses, irão parir aos 34 e, devido à baixa fertilidade, terão baixa concepção na segunda estação de monta e, pior ainda, desmamarão bezerros leves que só serão abatidos acima de 3 anos de idade.
    3. o pior é que as fêmeas que emprenharem continuarão produzindo bezerros ruins enquanto permanecerem no rebanho. Os danos se repetirão no rebanho por vários anos.

Por isso, foi desenvolvido um sistema para ajudar os criadores a serem mais assertivos na escolha dos touros (namorados) que garantirão o sucesso produtivo em suas fazendas. Ele tem como premissa a recomendação de touros provados e touros jovens com probabilidade de serem melhores que os touros já provados.

Os touros provados são aqueles que se encontram no Sumário de Touros Qualitas (para acessá-lo www.qualitas.agr.br) , apresentando avaliações genéticas para as seguintes características:

Peso ao nascimento

Peso aos 210 dias

Materno Total

Ganho de Peso dos 210 dias aos 450 dias

Peso aos 210 dias

Circunferência escrotal aos 450 dias

 

Para estar no Sumário de Touros eles devem ter pelo menos 25 filhos avaliados e nascidos em no mínimo 2 rebanhos diferentes.

Apresentam também avaliações genéticas para as seguintes características visuais:

Reprodução
Úbere
Musculosidade
Frame
Aprumos
Ossatura
Profundidade
Inclinação de Garupa
Umbigo
Inserção de Cauda
Boca
Pigmentação
Temperamento
Testículos
Racial

 

Figura 1. Touro Provado no Qualitas

 

Já os touros jovens, selecionados anualmente pelo Qualitas, passam pelo seguinte processo de seleção:

 

1) cerca de 10.000 machos nascidos nas fazendas participantes são pesados ao nascimento, à desmama e aos 15 e 18 meses, têm a circunferência escrotal medida aos 15 e 18 meses e são avaliados visualmente entre 15 e 18 meses de idade;

2) os melhores 22,5% para todas as características avaliadas recebem o CEIP (Certificado Especial de Identificação e Produção – autorizado pelo MAPA). Este ano foram certificados 1.706 touros aos 18 meses;

3) dos 1.706 touros, os 120 melhores foram selecionados para teste de eficiência alimentar aos 20 meses no CIGNA (Centro de Inovação em Genética e Nutrição na UNESP de Botucatu – SP);

4) ao final do teste de eficiência alimentar e avaliação de ultrassonografia de carcaça, 14 touros foram selecionados para coleta de sêmen aos 24 meses e agora estão na Central Bela Vista em Botucatu.

Abaixo estão os touros jovens que poderão namorar as vacas nesta próxima estação de monta.

 

Tabela 2. Touros jovens selecionados no Qualitas em 2018.

Ainda são indicados touros de outros programas de seleção que apresentem avaliações genéticas e que são avaliados funcionalmente em nossas visitas às centrais de inseminação artificial para as características visuais que descrevemos para os touros provados no Qualitas.

Além de indicar os touros para a próxima estação de monta, orientamos aos criadores qual a intensidade de utilização dos touros provados e dos touros jovens. Para tanto, classificamos cada touro com uma nota de risco que varia de 1 a 6. Quanto menor o número do risco, maior a certeza em relação às características que o touro irá transmitir para a sua progênie. Já quanto maior o número, maior a incerteza em relação ao que o touro irá transmitir aos seus filhos.

Por isso, sugerimos ponderar a utilização dos touros, intensificando o uso dos touros provados, que apresentam menor risco mas, usando também os touros jovens que apresentam potencial para serem melhores que os touros provados.

Classificação dos touros por risco:

1 – Touros no Sumário Qualitas com acurácia acima de 75%;

2 – Touros no Sumário Qualitas com acurácia abaixo de 75%;

3 – Touros Jovens selecionados pelo Qualitas;

4 – Touros de outros programas de seleção com avaliação genética em Sumários de touros, ou seja, com filhos avaliados;

5 – Touros de outros programas de seleção com avaliação genética, mas sem filhos avaliados;

6 – Touros sem avaliação genética.

 

Para gerenciar corretamente o risco de utilizar os touros jovens sugerimos usar vários touros, com um volume de doses de sêmen reduzido de cada um.

A figura abaixo mostra como é nossa sugestão. Ela explica que 60% das vacas devem ser inseminadas com touros provados (risco 1 e 2). Que 30% das vacas devem ser acasaladas com touros jovens (risco 3) e 10% delas deverão ser acasaladas com touros de risco 4. E se o criador quiser fazer “roleta russa” com seu rebanho, é só utilizar touros de risco 5 e 6. Reforçamos que não há problema em utilizar touros de risco 5 ou 6 mas, a intensidade de utilização deve ser bem pequena, para não causar danos ao rebanho se o touro não for bom.

 

 

Para finalizar, sugerimos que o pecuarista efetue o acasalamento individual de cada uma de suas vacas. Devemos diminuir o risco de escolher o namorado errado! Cada fêmea apresenta inúmeras características que devem ser consideradas, corrigidas e principalmente, maximizadas:

1 – as características funcionais ou de conformação devem ser corrigidas ou mantidas;

2 – as características de desempenho e reprodução devem ser maximizadas;

3 – a endogamia deve ser controlada.

 

São inúmeras informações a serem analisadas e combinadas para sugerir o melhor namorado. Por isso, não confiamos no ser humano “sozinho” para tomar esta decisão e sugerimos aos criadores que enviem as informações de suas vacas para a Progênie (www.progenie.com.br), empresa que possui o software mais avançado para realizar os acasalamentos ponderando todas as informações de maneira correta para garantir o progresso genético, produtivo e funcional do rebanho.

Portanto, para não errar é preciso:

1º – selecionar os melhores touros (namorados);

2º – ponderar a utilização dos touros (namorados mais maduros em maior número, sem deixar os pretendentes mais jovens com alta probabilidade de serem “bons partidos” de fora);

3º – acasalar individualmente as matrizes considerando todas as informações relevantes (cada vaca tem o namorado ideal para que seu filho/a seja melhor que os pais).

Grande abraço e inté!

 

 

Suplementação de bovinos no período das águas

O sistema de criação de bovinos baseado na exploração de forragem é preponderante no Brasil. Por este motivo, pecuaristas que não compreendem a relação e a interação (solo – planta –animal), dificilmente utilizarão os recursos disponíveis de maneira eficiente.

Bovinos manejados em regime de pasto têm como principal fonte de alimento a forragem, que possui oferta e valor nutricional (qualidade) variável ao longo do ano. A estação da seca (outono e inverno) é marcada pela menor oferta de forragem – consequência da quantidade reduzida de água, baixa temperatura e menor fotoperíodo. Em adição, o valor nutricional desta forragem normalmente é inferior (menores teores de proteína, energia e minerais), pois quase sempre é oferecida aos animais com idade de crescimento mais avançada.

Para evitar a perda de bovinos manejados em regime de pasto, neste período, pecuaristas investem em tecnologia de suplementação a pasto e substituem minerais linha branca pelos proteicos, proteico-energéticos ou rações de semiconfinamento. Estes suplementos disponibilizam além dos macro e microminerais, carboidratos não estruturais, proteína e aditivos melhoradores de desempenho. Como resultado, o ambiente ruminal é enriquecido com nitrogênio e nutrientes digestíveis totais fermentescíveis. Os microrganismos se tornam mais eficientes ao degradar fibra, os animais aumentam a ingestão de alimento e ganham mais peso. A suplementação com fontes protéicas na estação da seca é mais disseminada e compreendida no campo, quando comparada ao mesmo procedimento adotado no período das águas.

Na estação chuvosa a forragem se apresenta verde e abundante, o que reduz consideravelmente o uso de suplementos proteicos, proteico-energéticos e rações. Na estação das águas, o fornecimento de 80 g de suplemento mineral contendo macro (cálcio, fósforo, magnésio, enxofre e sódio) e microminerais (manganês, zinco, cobre, iodo, cobalto, selênio e ferro) propiciará aproximadamente 400 a 500 g de peso vivo (PV)/ animal / dia, caso não haja restrição de qualidade e oferta de alimento volumoso. Este é o principal motivo pela menor suplementação protéica nas águas, porém a eficiência alimentar e desempenho dos animais poderiam ser bem superiores.

É importante ressaltar que a adoção de suplementos que forneçam somente minerais no verão não é uma prática incorreta, pelo contrário, o não fornecimento destes minerais resultaria em perdas produtivas e reprodutivas. No entanto, a suplementação com fontes adicionais de proteína e carboidratos de rápida degradação ruminal resultam em:

Maior desempenho em pastagens manejadas intensivamente – estas áreas são normalmente muito adubadas e apresentam elevados teores de nitrogênio. É necessário fornecer carboidratos visando à sincronização com a porção solúvel e de rápida degradação ruminal da proteína disponível na forragem.
Maior desempenho em pastagens manejadas de maneira mais leniente (baixa taxa de desfolha, onde há maior presença de material senescente). Neste caso, é necessário o aporte de proteína verdadeira (aminoácidos), o que resultará em maior consumo e digestibilidade do alimento.

O incremento de desempenho é necessário, visto que a constante valorização da terra, maior preço da reposição e o incremento dos custos de produção obrigam a atividade pecuária a se tornar cada vez mais eficiente. Apenas o aumento do teor de proteína bruta e dos nutrientes digestíveis totais (NDT) do capim, no período das águas, não é suficiente para um ganho de peso adicional dos animais.

A suplementação resultará em maior investimento, porém a compensação virá com o aumento de peso (mérito individual) e da produtividade (@/hectare/ano). O período de engorda de um animal suplementado com proteinado, em comparação ao ruminante que recebe apenas mineral linha branca, é inferior. Este sistema acarreta no ganho indireto de poder retirar o animal mais cedo do pasto, disponibilizando o espaço para outro bovino, que iniciará o processo de recria ou engorda.

É fundamental que o produtor de proteína de origem animal avalie não somente o quanto investirá na alimentação complementar, mas o retorno do capital investido quando a suplementação é realizada de maneira correta.

O Boi Bom, o Mau, o Feio e o Boi Qualitas – parte 2

Introdução

Infelizmente, no caso do filme, The Good, the Bad & the Ugly (O Bom, o Mau e o Feio) não houve uma continuação, mas em nossa história sentimos a obrigação de continuar o texto que escrevemos em fevereiro de 2018. Para quem não o leu, veja aqui.

A história continua.

 

A nossa história continua na mesma fazenda Mata Verde, pertencente à família Michels em Terra Nova do Norte, MT, e que é parceira do Nelore Qualitas desde 2010. Agradeço e parabenizo novamente a família Michels, uma referência de negócio com foco no lucro.

No primeiro texto fizemos a analogia entre diferentes tipos de bois e os protagonistas do filme. Agora continuaremos a analogia não somente com quatro bois, mas sim com grupos de bois que representam cada um dos protagonistas. Portanto, eles agora retornaram em bandos! E isso é muito importante pois representa o que realmente acontece nas fazendas.

Outra diferença desta parte 2 é que conseguimos enxergar com clareza o que diferencia os nossos protagonistas e o impacto disso no que mais importa, que é o lucro por boi engordado. E isso só foi possível graças ao excelente nível de controle da fazenda Mata Verde.

Os Bois Qualitas e os Bois Bons e os Bois Maus Bois Feios.

 

Os nossos quatro grupos de bois nasceram em setembro de 2016, os Bois Qualitas e os Bois Bons foram produzidos na Mata Verde e os Bois Maus e Feios foram comprados em abril e maio de 2017, mesma época em que os da Mata Verde foram desmamados. Assim, desde a desmama até o abate em agosto de 2018, foram criados nas mesmas condições, seguindo o seguinte protocolo nutricional fornecido pela Fortuna Nutrição Animal:

 

– Do nascimento até a desmama: pasto + sal mineral (sem creep-feeding);

– Da desmama até setembro de 2017: pasto + suplemento proteico com consumo de 0,1% do peso vivo;

– De outubro de 2017 a março de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 0,5% do peso vivo;

– De 28 de abril a 14 maio de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1,3% do peso vivo;

– De 15 de maio a 18 de julho de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1,7% do peso vivo;

– De 18 de julho a 5 de agosto de 2018: pasto + suplemento proteico energético com consumo de 2,0% do peso vivo;

Na figura 1 estão as curvas de crescimento dos quatro grupos de bois que representam os nossos protagonistas.

 

Figura 1.
Curva de crescimento de bois nascidos em 2016 – setembro de 2017 a agosto de 2018

Foto: Scot Consultoria

 

Os Bois Bons são todos animais nascidos na Mata Verde (total de 514) com exceção de 71 machos que foram certificados como touros pelo Qualitas e não estão nesta conta, mas que, pelos critérios da seleção, seriam os melhores bois do rebanho.

Os Bois Qualitas são um grupo de 69 machos também nascidos na Mata Verde e criados juntos até o abate, sendo o lote de melhor desempenho da fazenda. Os Bois Maus e Feios são dois grupos de 69 e 68 bezerros comprados pela Mata Verde e também criados juntos nas mesmas condições que os nascidos na fazenda.

O gráfico mostra que, da desmama em maio, até setembro de 2017, os Bois Qualitas ganharam muito mais peso nas mesmas condições que os demais.

As diferenças de peso dos bezerros só aumentaram à medida que os animais foram crescendo – “os bão ficaram mió e os pió não arribaram” no nosso faroeste caipira.

 

Tabela 1.
Desempenho na recria e suplementação de machos da fazenda Mata Verde de setembro de 2017 a abril de 2018.

Tabela 2.
Apresentamos o desempenho de maio a agosto de 2018.

 

A melhor genética faz a diferença.

 

Nesta segunda parte do nosso faroeste conseguimos decifrar o que realmente diferencia nossos protagonistas. O maior ganho de peso aumenta com a eficiência dos animais de melhor genética, pois sua conversão alimentar tanto em pasto, mas, principalmente, de suplemento ficou confirmado (tabela 2).

 

Talvez, essa melhor eficiência seja resultado de nove anos de avaliação para eficiência alimentar realizados no Qualitas, identificando os touros eficientes e multiplicando essa genética através do sêmen.

 

Informamos que o rendimento de carcaça não pode ser individualizado sendo que a média de todos os animais que foram abatidos em dois dias consecutivos, no mesmo frigorífico, foi de 55,3%.

 

Os resultados reafirmam que não vale a pena tratar de boi ruim. E isso se confirma nos dados exposto na tabela 3.

 

Tabela 3.
Resultados financeiros dos bois da Faz. Mata Verde

Os preços de custo de produção dos bezerros da fazenda Mata Verde foram de R$ 1.049,02 para os Bois Qualitas e Bons, calculados pela Inttegra-Geagro. E R$ 1.106,94 foi o preço incluindo frete e comissões pagos para os bezerros comprados pela fazenda. O custeio no período é formado pelo custo por cabeça/dia de R$27,22 (também calculado pela Inttegra-Geagro) mais a suplementação diária fornecida aos animais após a desmama até o abate. O preço de venda foi de R$130,00 por arroba.

Epílogo

 

As informações tabeladas permitem relembrar as analogias ao filme que fizemos na parte 1.

 

Os Bois Feios, são aqueles bandidos que só pensam em passar a perna no fazendeiro, pois se considerarmos o custo do capital investido eles roubam o lucro dos outros bois.

 

Os Bois Maus são aqueles que, apesar de apresentarem lucro, deixam aquele desconforto no pecuarista, pois depois de tanto trabalho o resultado foi medíocre.

 

A reflexão agora na parte 2 é a seguinte: “Não vale a pena tratar de boi ruim”.

 

Já os Bois Bons que representam toda a boiada da fazenda Mata Verde apresentaram um resultado positivo, mas…os Bois Qualitas, esses é que devem ser a meta de todo pecuarista. Eles representam a verdade por trás do conceito do Boi 777 desenvolvido pelos pesquisadores da APTA de Colina. E não só a Mata Verde mas todos que participam do Qualitas buscam, por meio do melhoramento genético, aumentar a cada ano o percentual destes animais em seu rebanho.

 

A meta é atingir R$600,00 de lucro por boi engordado com abate até os 20 meses de idade.

 

Ano que vem voltaremos a contar a história da Mata Verde e, com certeza, com resultados melhores. E já fazendo um “spoiler”, termo utilizado pelos jovens que significa falar o que acontece no filme antes da pessoa assistir: os bezerros da fazenda Mata Verde já estão em setembro com 274 kg aos 12 meses. É família Michels, acho que a boiada 2019 será de 20@ com 20 meses.

 

E na sua fazenda, serão quantas arrobas em quantos meses? E, mais importante, qual será o lucro por boi engordado?

 

Grande abraço e inté!

 

Texto em coautoria com:

 

Nilson Michels

Sócio proprietário da Faz. Mata Verde

Rafael Souza Almodóvar

Daniel Mendonça de Meneses

Técnicos comercias da Fortuna Nutrição Animal

A melhor de 30.000 vacas está vazia, e agora José?

Entre os selecionadores é muito comum a supervalorização das vacas mães dos tais “touros de Central”, aqueles que por diversos e variados atributos têm o seu sêmen coletado e comercializado. Quanto maior for a quantidade de “touros de Central” que essa vaca produzir, e quanto mais sêmen os seus filhos venderem, maior é o valor atribuído pelos selecionadores à tal vaca. É inegável que tal vaca seja realmente valiosa, principalmente do ponto de vista financeiro.

 

Mas, e sob a ótica produtiva de um rebanho de cria, qual o seu real valor? Será que estes “touros de Central” são realmente filhos das melhores vacas?

 

Partindo deste ponto quais são as características e qualidades que uma vaca deve apresentar para ser considerada uma vaca excelente? Por quê essa vaca mereceria ter sua genética disseminada, via produção machos “touros de Central” ou multiplicada via transferência de embriões (TE) ou fertilização in vitro (FIV)?

 

Para um rebanho de cria é consenso que a característica mais importante é a fertilidade, portanto a primeira prova que uma fêmea deve passar é a da prenhez. Uma fêmea prenhe é boa e uma vazia é ruim. E quanto mais jovem ela emprenhar, maior é a sua qualidade pois uma fêmea só começa a dar retorno financeiro para a fazenda de cria a partir da sua terceira parição. Até o segundo bezerro que ela desmamar, os custos para ela ser produzida, recriada e mantida no rebanho são maiores que os valores acumulados com a venda de seus filhos. Só a partir do terceiro bezerro é que o dinheiro investido é retornado. Isso se ela emprenhar aos 24 meses, tiver um intervalo de partos de 12 meses e não considerarmos o custo do capital investido. São 5 anos e 8 meses até ela se pagar.

 

Tabela 1.
Tempo para a fêmea que emprenha aos 24 meses se pagar no rebanho de cria.

 

É por isso que podemos afirmar que se conseguirmos antecipar a prenhez para os 14 meses conseguimos diminuir em um ano o tempo para que a fêmea se pague dentro de um rebanho de cria.

 

Assim, a vaca boa do ponto de vista da fertilidade é aquela que emprenha aos 14 meses e desmama pelo menos 3 bezerros de boa qualidade. Essas realmente são boas pois, somente 28 entre cada 100 bezerras desmamadas, irão produzir os 3 bezerros até os 4 anos e 8 meses.

 

Tabela 2.
Taxa de Permanência do rebanho de fêmeas que emprenham aos 14 meses.

 

Bem, agora que definimos onde procurar as melhores vacas podemos identificar as vacas que merecem ser mães de “touros de Central”  considerando outras características como peso ao nascimento, habilidade materna, peso de desmama dos filhos, ganho de peso após desmama dos filhos, perímetro escrotal dos filhos, qualidade de carcaça, qualidade de carne, eficiência alimentar, etc.

 

Geralmente essas fêmeas só apresentarão o que podemos chamar de “consistência genética” se os índices médios de fertilidade do rebanho onde elas se encontram forem realmente bons e recorrentes. É o caso da “vacada” da Fazenda Capivara de Piacatu – SP. Vejam os índices de prenhez deste rebanho que participa do Programa Qualitas de Melhoramento Genético desde 1994 e que a partir de 2015 começou a emprenhar bezerras aos 14 meses.

 

Tabela 3.
Histórico de prenhez de 2008 a 2018 da Fazenda Capivara, Piacatu – SP.

É um rebanho que consistentemente apresentou 90% de prenhez, independente de anos bons ou ruins de chuva. Anos ruins geralmente são a grande desculpa dos pecuaristas para os baixos índices de fertilidade em seus rebanhos.

 

Foi no rebanho da Fazenda Capivara que identificamos, pela avaliação genética do Qualitas de abril de 2018, a vaca com o maior Índice Qualitas entre cerca de 30 mil vacas.

 

A vaca M 90113, nascida em 2014 com apenas 31kg, desmamou com 275,5kg (sem creep-feeding), pesou 387,6kg aos 15 meses, emprenhou aos 14 meses, desmamou sua primeira bezerra com 209,1kg, que por sua vez também emprenhou aos 14 meses, e desmamou o segundo bezerro em 2018 com 260kg, apresentou as seguintes DEPs (Diferença Esperada de Progêne):

 

Tabela 4.
Vaca M 90113.

 

Só que… ela ficou vazia na sua terceira estação de monta! E agora José? Coincidentemente, o gerente da Fazenda Capivara se chama José Henrique, a quem parabenizamos junto com toda a sua equipe pelos excelentes resultados produtivos do rebanho.

 

Mas, voltando à pergunta: e agora José?

 

Mesmo sabendo que a M 90113 era a vaca mais bem avaliada de 30.000 ele não teve dúvidas, e embarcou-a para o frigorífico com as outras vacas vazias. Ainda me disse que ela era realmente boa, pois foi embarcada logo após ter seu bezerro de 260Kg desmamado. – “Desmamou gorda, Leo”.

 

Me contou ainda que recebeu uma visita de outros selecionadores que ao ouvirem que ele havia enviado a “melhor vaca” do Qualitas para abate, recebeu a seguinte crítica: “vocês são muito radicais”.

 

Será que isso é radicalismo ou realmente fazer seleção?

 

Por isso, novamente parabéns José Henrique, Toti e Daniel, que são as pessoas que decidem na Faz. Capivara, por fazerem o que consideramos o correto.

 

O interessante é que nesse mesmo rebanho tem outra vaca que nasceu no mesmo ano, que é a M 80186 com 30kg, desmamou com 285,2kg (sem creep-feeding), pesou 333,3kg aos 15 meses, emprenhou aos 14 meses, desmamou seu primeiro bezerro com 260,8kg, desmamou o segundo bezerro em 2018 com 257,1kg e que apresentou as seguintes DEPs:

 

Tabela 5.
Vaca M 80186.

Só que… essa ficou prenhe e entregará o seu terceiro bezerro, pagando a sua conta na fazenda. Ela não é a número 1 no Índice Qualitas, é a 24a., mas, do ponto de vista produtivo, para mim, a melhor fêmea do rebanho.

 

E você, já identificou a sua “MELHOR VACA”?

 

Grande abraço e inté!

 

Texto com coautoria de Émerson G. de Moraes (sócio diretor da Qualitas).

Boi Gordo | R$/@

10/12/2019 | Scot Consultoria
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