R$ 28,00 ⁄ ha ou R$ 500,00 ⁄ ha VOCÊ ESCOLHE – Entrevista com Leonardo Souza Diretor Qualitas

A identificação da genética mais lucrativa só termina quando o dinheiro está na conta

 

E para identificar o melhor touro temos que acompanhar as características que são relevantes na composição da produtividade, dos custos e, por consequência, do lucro do animal.

Nesta nossa prosa iremos apresentar o desenvolvimento de 18 animais da raça Bonsmara pertencentes à Fazenda Santa Silvéria, localizada em Piratininga – SP, de propriedade de Clélia Brissac Pacheco. Esse rebanho é um dos participantes do Programa Qualitas Bonsmara de Melhoramento Genético.

Esses 18 animais nasceram no mês de agosto de 2016 e foram criados juntos nas mesmas condições de pasto e suplementação até os 18 meses e, em seguida, foram confinados no CIGNA (Centro de Inovação em Genética e Nutrição) da UNESP de Botucatu – SP, para avaliação de eficiência alimentar e qualidade de carcaça. No total foram 79 animais nascidos de agosto a novembro de 2016, pertencentes a 6 criadores. Aqui cabe o agradecimento e os parabéns à toda equipe de funcionários e alunos da UNESP de Botucatu e ao Prof. Dr. Josineudson Augusto II, nosso consultor em melhoramento genético e responsável pelo CIGNA.

Na Tabela 1, apresentamos as pesagens ajustadas e os ganhos de peso dos machos nascidos em agosto de 2016 e que estavam com média de 207 Kg aos 7 meses de idade, 347 kg aos 15 meses, 422 kg aos 18 meses e 583 Kg aos 21 meses de idade. Um desempenho excelente, decorrente do alto ganho de peso que esses animais apresentaram tanto na recria (0,585 kg/dia de abril a outubro e 0,742 de novembro a fevereiro), quanto na terminação no confinamento (2,033 Kg/dia durante 77 dias de avaliação).

Em amarelo estão marcados os melhores valores para cada característica. Ex.: o touro 18 apresentou o melhor peso aos 7 meses com 232 kg; o touro 10 apresentou o maior ganho de peso dos 7 aos 15 meses e maior peso aos 15 meses, com 0,704 Kg/dia e 389 kg, respectivamente; o touro 5 apresentou o melhor ganho de peso dos 15 aos 18 meses, como 1,032 Kg/dia; e o touro 15 foi o mais pesado aos 18 meses, apresentou o maior ganho de peso no confinamento, 2,555 Kg/dia e consequentemente o maio peso aos 21 meses, 678 kg.

 

Tabela 1 – Evolução em ganho de peso dos 7 aos 21 meses de idade.

 

Na Tabela 2, estão as medidas de carcaça coletadas por ultrassom pela equipe da Design Genes Tecnology. A primeira é AOL (área de olho de lombo) medida em cm2, a segunda é o Marmoreio, medido em scores de 0 a 10, a terceira é a EGS (espessura de gordura subcutânea) medida em mm, e a quarta é EG_Picanha (espessura de gordura na picanha).
É muito interessante verificar que apesar da variação nos animais para as medidas em questão, verificamos valores excelentes para AOL, marmoreio e acabamento, uma vez que estamos falando de machos inteiros e confinados por um curto período, com uma dieta balanceada para não comprometer a qualidade do sêmen dos touros.
Como na tabela anterior as melhores medidas estão marcadas em amarelo.

Tabela 2 – Medidas de carcaça avaliadas por ultrassom.

Na tabela 3, estão as informações coletadas no confinamento. Por meio da tecnologia Intergado, o consumo de alimentos foi pesado diariamente, bem como o ganho de peso que também foi coletado diariamente através de balanças instaladas em uma plataforma em frente aos bebedouros de água dos animais.
Os 18 animais consumiram em média 13,3 Kg/dia de Matéria Seca, ganharam 2,033 Kg/dia de peso, o que resultou em uma conversão alimentar de 6,6 kg de Matéria Seca para cada 1 kg de ganho de peso. Além disso, apresentamos o CAR (Consumo Alimentar Residual) que mostra se o animal comeu mais ou menos do que o que estava previsto em função do ganho de peso que ele apresentou. Animais com valores negativos são os melhores, como foi o caso do animal 17, que apresentou o menor consumo de matéria seca, 11,3 Kg/dia e o CAR mais negativo, consumindo -1,509 Kg/dia de matéria seca para um ganho médio diário de 1,558 Kg/dia, infelizmente o pior desempenho do grupo.

Tabela 3 – Consumo de Matéria Seca, Ganho médio diário, Conversão Alimentar e CAR.

Na tabela 4, temos informações que determinam a produtividade de cada animal em função do rendimento de carcaça estimado por uma fórmula que utiliza o peso vivo, a área de olho de lombo (AOL) e a espessura de gordura subcutânea. Quanto maiores o peso vivo e a AOL e menor a espessura de gordura, maior é o rendimento de carcaça previsto. Com isso temos as arrobas (@) produzidas por cada animal no confinamento, que depende do rendimento e do ganho médio diário. Na quarta coluna temos o custo por @ produzida, que é função da quantidade de alimento consumido durante o confinamento, em que consideramos um custo de R$ 0,55 por Kg de matéria seca durante 77 dias. Esse valor que é o da quinta coluna, é dividido pelas arrobas produzidas, gerando o custo por arroba. Na sexta coluna está o valor da diária no confinamento, que é o consumo médio diário de matéria seca multiplicado pelo custo de R$ 0,55. E na última coluna, temos o lucro por animal no confinamento, onde consideramos um valor de R$ 140,00 por cada arroba vendida. Os valores em amarelo são os melhores para cada item, e aqui identificamos que o animal mais lucrativo, foi o 15, que produziu mais arrobas, 7,82, com o menor custo por arroba, R$ 74,30. O que gerou um lucro de R$ 513,84 no confinamento, contra um lucro quase quatro vezes menor do animal 9 com R$ 145,25!

Tabela 4 – Rendimento de carcaça, arrobas produzidas, custo por arroba no confinamento, custo no confinamento, custo da diária no confinamento e lucro no confinamento de 77 dias.

Na tabela 5, apresentamos os resultados financeiros da engorda dos 18 animais. Na segunda coluna, temos o custo total por animal, que foi calculado da seguinte maneira: foi considerado um custo por bezerro desmamado de R$ 1.000,00 a esse valor foi acrescido um custo mensal dos 7 até os 18 meses de R$ 70,00 por animal, e por último foi acrescido o custo no confinamento de cada animal conforme explicado na Tabela 4. Assim verificamos um custo médio de R$ 2.332,15. Na terceira coluna temos o peso em arrobas de cada boi, com uma média de 23@ aos 21 meses de idade, uma excelente média. E é aí que verificamos uma grande variação, com o pior animal apresentando 19,9 @ e o melhor 27@. Na quarta coluna apresentamos a receita por animal se eles fossem abatidos a um valor de R$ 140,00 por arroba. Na quinta coluna temos o lucro total por boi, com uma média de R$ 886,42 mostrando valores que mostram uma pecuária de alta lucratividade e bastante competitiva com a agricultura.
E o mais importante do ponto de vista da seleção é identificar um touro como o número 15 que apresentou uma lucratividade quase duas vezes mais alta que a média, com R$ 1.423,72 de lucro! Mais interessante ainda é verificar que mais de 60% do lucro total foi alcançado na fase de recria R$ 909,88 contra R$ 513,84 da terminação.
É por isso que reafirmamos que a característica mais importante para a pecuária de corte é o ganho de peso.

Tabela 5 – Custo total, peso de abate em arrobas, receita por boi, lucro por boi, lucro na fase de recria e lucro no confinamento.

Para concluir, são apresentados na tabela 6 os líderes para cada característica medida e como eles se posicionaram para o que realmente importa, que são os lucros: na fase de recria, na terminação no confinamento e durante todo o período até o abate, que é o lucro total. Desta maneira conseguimos visualizar quais características apresentadas pelos animais foram impactantes no lucro.
Mas o mais importante do ponto de vista da seleção foi a identificação do animal número 15, que apresentou excelentes medidas para características extremamente importantes, como ganho de peso após a desmama, ganho espetacular no confinamento de 2,555 Kg/dia, conversão alimentar de 5,4 kg e ainda com um CAR de -1,379 Kg. Além disso, para as características de carcaça, ele esteve acima da média para AOL, espessura de gordura subcutânea e sobre a picanha. Ou seja, um animal de excelente desempenho com alto rendimento de cortes cárneos bem cobertos de gordura.

Tabela 6 – Classificação dos animais para o lucro em função de características avaliadas.

E, além disso, do ponto de vista funcional, é um animal excepcionalmente equilibrado, com o sistema reprodutivo perfeito, com testículos de ótimo tamanho (42 cm aos 21 meses) e formato e cabeça masculina. Umbigo curto, com bainha bem posicionada e sem prolapso de prepúcio. Musculatura abundante. Aprumos, cascos e ossatura corretos. Pêlos curtos e lisos. Ótimo temperamento. Grande comprimento de costelas, com alta capacidade ruminal. Linha de dorso plana. Garupa comprida, larga e levemente inclinada. Essas essas características podem ser vistas na foto abaixo do animal 15, que é o touro CCP16-0166.

Como já dissemos em outro texto, o trabalho do selecionador é identificar as exceções e este touro representa um excelente exemplo do que foi dito.
Mas como está escrito no título, só é possível identificar com precisão a melhor genética quando testamos os animais em condições similares às que eles seriam criados para abate. Finalizar a avaliação no teste de eficiência alimentar, com avaliações de carcaça é uma estratégia que permite simular o resultado financeiro da produção de um boi gordo, mostrando o dinheiro que realmente fica na conta do pecuarista.
E se você está procurando um animal para o seu programa de cruzamento, para vacas nelore e principalmente, para as novilhas ½ sangue Angus/Nelore, a raça Bonsmara é uma ótima opção.
Em nosso próximo texto iremos descrever este sistema de produção apresentando também o seu retorno financeiro potencial.
Grande abraço e inté!

Fonte: scotconsultoria

Será que o bovino que come menos é o que dá mais lucro?

 

Naquela ocasião, conhecemos o sistema de seleção que o professor Daniel ajudou a implementar enquanto trabalhou no ARC (Animal Research Center), centro de pesquisa responsável por implementar tecnologias para o desenvolvimento da pecuária sul africana. Quando digo pecuária, me refiro a todas as raças bovinas da África do Sul. Consideramos este sistema um dos mais bem-sucedidos do mundo e aplicamos o que aprendemos com o professor Daniel no Qualitas.

 

Afirmamos isso pois, já em 2001, o rebanho sul africano, principalmente, da raça Bonsmara, estava avançado em termos de desempenho e eficiência. Desde o início da década de 1980, além de selecionar os bovinos para ganho de peso, eles já se preocupavam com a eficiência alimentar. Como o país não tem uma aptidão agropastoril favorável por questões climáticas, o custo alimentar dos animais é elevado, tendo grande impacto na rentabilidade da atividade. Por isso, naquela época iniciou-se a avaliação de eficiência alimentar, primeiramente em centros de pesquisa vinculados ao ARC e, em seguida, em fazendas particulares.

 

Quando estive na África do Sul, eles já tinham avaliações genéticas para lucro no confinamento, principal sistema de terminação dos bovinos, onde os bezerros são desmamados e vão diretamente para cocho.

 

Apesar de ficar deslumbrado ao conhecer um desses centros de avaliação, já totalmente automatizado, incluindo o fornecimento de ração para os animais, aquilo me pareceu distante para a realidade brasileira por dois fatores: o primeiro, por achar inviável economicamente montar a estrutura necessária para a avaliação no Brasil e segundo, por achar que não seria tão importante para o Brasil, com um sistema de terminação majoritariamente a pasto.

 

Bom, este assunto ficou incubado em nossa cabeça até 2007, quando trabalhamos em um projeto de engorda em confinamento de mais de 30 mil cabeças. A enorme variação em eficiência alimentar dos lotes engordados acendeu um alerta para o impacto sobre a lucratividade da atividade.

 

Além isso, pesquisando sobre o assunto, estudos realizados pelo Prof. Dr. Robert Herd, da Austrália, afirmavam que animais que apresentavam melhor eficiência alimentar no confinamento também eram mais eficientes no pasto.

 

Então, a partir de 2010 iniciamos a mensuração do consumo individual de alimentos dos 120 melhores touros identificados no Qualitas de cada safra de nascimento. Após 8 anos, 960 touros foram avaliados, inicialmente no Confinamento Experimental da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás, sob a coordenação do Prof. Dr. Juliano José de Resende Fernandes e, a partir de 2016 o sistema de medição de consumo e pesagens dos animais foi automatizado, com a utilização dos equipamentos desenvolvidos pela Intergado, quando fizemos uma nova parceria com a UNESP de Botucatu, no CIGNA (Centro de Inovação em Genética e Nutrição Animal) a cargo do Prof. Dr. Josineudson Augusto II.

 

Os dados coletados neste processo servem para avaliar a eficiência alimentar dos animais para duas características: conversão alimentar (CA) e consumo alimentar residual (CAR). A CA significa quantos quilogramas de matéria seca (MS) de alimentos foram necessários para produzir um quilograma de ganho de peso. Quanto menor o valor da CA melhor o animal para esta característica. Portanto, quanto maior o ganho de peso e menor for o consumo de alimentos, melhor a CA. Exemplo: um animal de CA de 5kg, comeu 5kg de MS para ganhar 1kg de peso vivo.

 

Já o CAR significa quanto o animal comeu em relação ao que estava previsto para ele comer, de acordo com o seu ganho de peso e o seu peso. Este valor é sempre relativo ao consumo médio diário de alimentos em MS durante o período de avaliação. Podemos ter animais negativos ou positivos para CAR. Exemplo: animal A com consumo de 10kg de MS por dia teve um CAR de -1,5kg. Isso significa que ele foi eficiente pois comeu 1,5kg a menos do que estava previsto para ele comer, pois o seu consumo previsto era de 11,5kg de MS, mas ele comeu 10kg de MS por dia. Já um animal ineficiente que comeu 11kg de MS por dia e que apresentou um CAR positivo, por exemplo de + 1kg, tinha uma previsão de consumo de 10kg de MS por dia, mas comeu 11kg.

 

Portanto, quando falamos em eficiência alimentar, buscamos três características nos animais, alto ganho de peso, baixo consumo de alimentos e CAR negativo. E ainda precisamos levar em consideração as correlações destas características com outras de importância econômica e produtivas.

 

Geralmente, animais de alto ganho de peso tendem a apresentar peso ao nascimento elevado e também tamanho adulto elevado, por isso, devemos nos atentar para a disponibilidade de alimentos onde estes animais serão criados.

 

Animais com CAR negativo podem apresentar menor acúmulo de gordura subcutânea e, também, pior qualidade de sêmen. O que não invalida a seleção para o CAR, só é necessário avaliar estas duas características também para selecionar os animais, pois existem exceções às regras e são estes os animais que devemos multiplicar.

 

Na tabela 1, apresentamos dois animais que nasceram com um dia de diferença e foram produzidos pela mesma fazenda, nas mesmas condições, desde o nascimento até o sobreano, quando foram enviados para o teste de eficiência alimentar do Qualitas, no CIGNA da UNESP de Botucatu. O touro A foi o que apresentou o segundo maior ganho de peso no confinamento e o touro B foi o que apresentou o melhor CAR.

Quando olhamos os dados, o touro A, apresentou maior desempenho desde a desmama até o final do confinamento, portanto, ganhou mais peso, mas também comeu mais alimentos no confinamento, 26% a mais em MS que o touro B. Os dois apresentaram CAR negativo, ou seja, comeram menos do que o previsto. Sendo o touro B mais eficiente que o touro A em 22%.

 

Do lado financeiro, isso significou um custo por arroba produzida no confinamento mais barato para o touro A (15% menor que o touro B), apesar do desembolso durante o período confinado ter sido maior. Portanto, quando avaliamos a operação confinamento, o touro A apresentou uma margem 46% maior que o touro B. Se um confinador tivesse adquirido os dois animais pelo mesmo valor, digamos R$2 mil, e os dois tivessem o mesmo peso, o touro A teria deixado R$363,17 de lucro e o touro B, R$197,41. Portanto, por esta ótica, quem ganhou mais peso foi o que gerou mais lucro, e não o que comeu menos!



Mas, e se analisássemos os dois animais desde o nascimento em uma fazenda que faz ciclo completo e termina os animais em confinamento? Será que o resultado seria diferente?

 

Para fazer esta simulação precisamos fazer a seguinte correção nos custos de produção, em função da diferença de consumo que os animais apresentaram no teste de eficiência: 12,73kg de MS para touro A e 9,40kg de MS para o touro B, ou seja, o 3,33kg de MS por dia ou 26% de consumo a menos para o touro B. Supondo que isso se repetiria também desde o nascimento até a entrada no confinamento, poderíamos dizer que o touro A custaria em relação à alimentação, 26% a mais que touro B.

 

Vamos supor que o custo total de produção do nascimento até a entrada no confinamento do touro B, fosse de R$2 mil e que 60% deste custo (R$1,2 mil) fosse com alimentação (pasto + suplementações), como o touro A comeria 26% mais alimento que o touro B, ele apresentaria um custo total de R$2.704,08, contra R$2.289,50 do touro B.

 

Na tabela 2 apresentamos esta simulação, pois não temos certeza que isso realmente ocorreu, uma vez que não foi medido. Verificamos que, nesta situação, a diferença de lucro cairia de R$446,14 para R$134,14. A vantagem diminuiria de 31% para 12%!



E se fosse incluída mais uma variável: a diferença da taxa de lotação em função da diferença de consumo de alimentos dos dois animais, que é de 26%. Teríamos outro resultado, que seria na verdade o que realmente importa em uma fazenda de ciclo completo, que é o lucro por unidade de área, ou hectare.

 

Na tabela 3, se considerarmos que poderíamos ter somente um touro A por hectare e 1,26 touro B na mesma área, o resultado se inverte, seria agora mais vantajoso um animal que ganha menos peso, mas que consome menos alimentos!

 

Devemos considerar também as fêmeas que compõem o rebanho, que seguindo a mesma lógica poderíamos ter mais fêmeas com o perfil do touro B, no lugar das fêmeas com o perfil do Touro A. Isso aumentaria a diferença de lucro a favor do touro B, que consumiu menos alimentos.

 

É, esse exemplo, apesar de ser uma simulação, nos faz refletir sobre complexidade da atividade pecuária. O que torna também extremamente complexo o trabalho do selecionador na definição dos objetivos de seleção para o seu rebanho. É um dever estudar minuciosamente as características de impacto econômico considerando todas as suas interações, correlações e, principalmente, as suas influências sobre o lucro de todo o processo e não somente de partes dele.

 

Garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo está diretamente ligado com qual melhoramento genético definimos para os animais. E fica evidente que nenhuma característica deve ser selecionada isoladamente, uma vez que suas correlações com outras características e, principalmente, com o lucro, podem não ser diretas e positivas.

 

 

 

Leonardo Souza

Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.

 

 

 

Fonte: Scot Consultoria

Cadê a evolução genética?

Confesso que num primeiro momento, lá nos idos de 1994 quando começamos a trabalhar com melhoramento genético, também compartilhava da desconfiança do pecuarista, que acha difícil acreditar que as DEPs (Diferenças Esperadas nas Progênies), que na verdade são previsões (…ESPERADAS…) elaboradas com vários ajustes estatísticos e que sofrem com várias influências, ou melhor, “erros” de coleta de informações, sejam eficientes para qualificar geneticamente um animal, dizendo se ele é bom ou ruim para determinada caraterística e, principalmente se aquelas qualidades são transmitidas para os seus descendentes.

Difícil também acreditar que participar de um Programa de Melhoramento Genético com objetivos específicos de seleção seria uma maneira de garantir a melhoria efetiva de um rebanho.

Realmente, é difícil encontrar referências que nos ajudem a enxergar o real progresso ou melhoria para determinada característica em um rebanho.

Um questionamento pode ser: será que as minhas vacas de hoje são melhores que as vacas nascidas a 17 anos atrás?

Para responder a esta questão, utilizaremos os seguintes dados:

– 150 vacas que nasceram de 2000 a 2014;

– Que são mães de bezerros machos nascidos em setembro e outubro de 2016, todos filhos de inseminação artificial;

– São de uma mesma fazenda (Agropontieri, localizada em Goiatuba-GO), que participa do Programa Qualitas de Melhoramento Genético desde 2000, e que nunca utilizou touro de repasse no rebanho, somente inseminação artificial. Portanto todas as vacas e todos os bezerros apresentam paternidade conhecida;

– Todas as vacas e novilhas vazias são descartadas após a estação de monta que hoje é de 45 dias;

– Os bezerros foram criados nos mesmos pastos, do nascimento até a desmama e da desmama até os 12 meses;

– Não receberam creep-feeding;

– Foram desmamados no mesmo dia: 18/04/17;

– Após a desmama ficaram em pasto de capim Marandú (braquiarão) de integração lavoura-pecuária, recebendo o produto Petisco da empresa Campo (proteinado de consumo de 0,1% do peso vivo);

– Foram pesados no mesmo dia: 28/09/17. Assim obteve-se o ganho de peso da desmama até um ano de idade.

– O rebanho é selecionado desde 2000 através de um Índice de Seleção, denominado Índice Qualitas, que é composto pelas seguintes DEPs e com os seguintes pesos:

Índice Qualitas = 20% Peso de desmama + 40% Ganho de Peso Pós Desmama + 20% Musculosidade + 20% Perímetro Escrotal.

Na figura 1, são apresentados os dados de ganho de peso após a desmama dos machos nascidos em 2016 de acordo com a idade das vacas. Assim apresentamos, a evolução para a característica considerada mais importante no Índice Qualitas, que é o ganho de peso pós desmama.

A média de ganho de peso foi de 0,645 kg/dia para todos os bezerros nascidos em 2016.

As vacas mais velhas, apresentam filhos com menor ganho de peso pós desmama. A média só foi esse valor porque a proporção de vacas novas no rebanho é grande, 55% do rebanho é composto por vacas que pariram a primeira vez aos 24 meses de idade (nascidas de 2011 a 2014) e seus filhos apresentaram 0,690 kg/dia, puxando assim a média para cima.

De acordo com a equação são 0,010 kg/dia de evolução anual no ganho de peso. Ao longo de 15 anos, são 0,150 kg/dia a mais no ganho de peso pós desmama. Isso significa 1,5 arrobas a mais de carcaça se os animais forem abatidos aos 24 meses de idade.

Um animal desmamado com 200 kg que apresenta 0,509 kg/dia de ganho de peso demora 19,4 meses para alcançar 500 kg enquanto um animal com 0,718 kg alcança o mesmo peso após 13,7 meses, quase seis meses antes.

Assim conseguimos enxergar com clareza se um rebanho está evoluindo geneticamente ou não. Se realmente há melhoramento, os animais mais jovens têm que ser melhores que os animais mais velhos.

Como é que estão as suas matrizes? As novilhas são melhores que as vacas eradas?

Infelizmente tem muito criador que não descarta vaca velha porquê tem medo de colocar novilhas no lugar! Essa insegurança pode ter dois motivos: ele não conhece o rebanho que possui ou, ele sabe muito bem que a genética do seu rebanho não é a ideal, pois, não investe em genética (touros) de qualidade para melhorar o seu rebanho.

Figura 1
Ganho pós desmama (kg/dia) dos machos nascidos em 2016 de acordo com ano de nascimento da vaca – Agropontieri

 

onte: elaborado pelo autor

É, ainda bem que essa tal de DEP funciona, senão, teria que arranjar outro jeito de ganhar dinheiro para comprar o leitinho das crianças!

Como dizem os filósofos, na verdade, o mais importante é a jornada e não o que foi alcançado até agora. E aqui agradeço a todos os selecionadores brasileiros, principalmente, aos nossos parceiros no Qualitas pelo pioneirismo e por acreditarem que é possível melhorar sempre, apesar dos passos parecerem lentos, mas extremamente importantes para os seus negócios.

E você, já começou a sua jornada?

Grande abraço e “inté” o próximo texto

 

Fonte: Scot Consultoria

InterCorte São Paulo se firma como o principal encontro anual da pecuária brasileira

A InterCorte São Paulo, realizada de 15 a 17 de novembro, no WTC Events Center, se firmou como o principal evento da cadeia produtiva da carne bovina brasileira. Mais de 2.100 pessoas de 17 estados passaram pelos três dias de InterCorte e participaram das cerca de 40 horas de conteúdo oferecidas em dois auditórios e um espaço degustação, com a contribuição de 94 palestrantes e debatedores, além de conferir as novidades tecnológicas apresentadas pelas 41 empresas e instituições que estiveram na feira de negócios.

Todos os elos da cadeia produtiva da carne estiveram representados na InterCorte, o que nos dá a certeza de dever cumprido ao proporcionar a plataforma de análises sobre a pecuária e de discussões sobre o rumo da atividade, inclusive com resultados que ultrapassam os limites do evento”, analisa Carla Tuccilio, diretora do Terraviva Eventos, que realiza a InterCorte.

Ela se refere à discussão sobre o FUNRURAL ocorrida na manhã do dia 17 com o advogado tributarista Marcos Melo, que resultou num manifesto entregue nesta terça (21) ao presidente da República, Michel Temer, ao presidente do Senado, Eunício Oliveira e outros senadores e deputados, solicitando a devolução da Medida Provisória Nº 793/17 ao Executivo para alterações especialmente no que diz respeito à cobrança retroativa. O movimento, intitulado “União dos Pecuaristas Brasileiros”, nasceu a partir do encontro realizado na InterCorte e vem sendo liderado pelos produtores Mauro Lúcio Costa, do Pará, e Maurício Velloso, de Goiás, representando 24 entidades pecuárias do País.

Caminhos da Genética

Uma das novidades da InterCorte foi o painel “Caminhos da Genética”, um desdobramento do projeto “Caminho do Boi”, iniciativa criada para que os visitantes simulem o trajeto realizado pelo animal de corte, desde a fazenda até o varejo. O Caminho do Boi já foi montado em eventos, como a Feicorte, Agrishow e InterCorte, e conta com diversas estações que mostram cada etapa do processo de produção de uma carne de qualidade, como genética, sustentabilidade, sistemas produtivos, bem-estar animal, infraestrutura e manejo, pesquisa, inovação e conhecimento, gestão, sanidade, indústria, associativismo, mercado e carne. Para que cada desses aspectos seja aprofundado e discutido, cada edição da InterCorte São Paulo terá um dia dedicado a uma estação do Caminho do Boi, começando pela genética.

No primeiro dia da InterCorte mais de 30 debatedores, incluindo o diretor da Qualitas, Leonardo Souza, discutiram em seis blocos os diversos aspectos que influenciam a genética bovina como estratégia para a pecuária. Temas como as aplicações práticas do melhoramento genético, o impacto no uso de animais melhoradores selecionados em testes de desempenho e eficiência alimentar, a utilização da genômica no campo, produtividade, lucratividade e sustentabilidade na utilização de animais melhorados e reprodução foram o norte para os debates e apresentações, que mostraram aos presentes a importância estratégica e a influência de uma boa escolha genética na qualidade da carne a ser comercializada.

Confira abaixo a palestra do diretor Leonardo Souza.

Congresso APPS

O congresso “Caminhos para a Pecuária Sustentável”, promovido pela Associação dos Profissionais da Pecuária Sustentável (APPS), foi realizado na tarde do primeiro dia da InterCorte, tratando de temas como bem-estar animal, nutrição, pastagem, melhoramento genético e reprodução, e sanidade.

Papel das redes sociais para a pecuária

Os líderes dos principais grupos de Whatsapp da pecuária e de redes sociais se reuniram pela primeira vez na InterCorte e trocaram experiências sobre o papel dessas ferramentas de comunicação para o amadurecimento do setor. Participaram do painel representantes dos grupos Pastagem Sustentável, GPB (Grupo Pecuária Brasil), Tratto Consultoria, Pasto On Line, Beef Radar, GPB Rosa, NFA – Núcleo Feminino do Agronegócio e Agro Mulher.

10 anos de GTPS

A InterCorte também foi palco do evento em comemoração aos 10 anos do GTPS – Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, que tratou da importância da articulação das cadeias de valor para o desenvolvimento sustentável. Uma programação especial de debates e palestras discutiu os avanços da pecuária na última década, o futuro e novos desafios, inclusive a democratização do acesso às ferramentas de conformidade socioambiental.

O encontro foi muito produtivo. Contamos com a casa cheia e conseguimos atingir nosso objetivo que é trabalhar a melhoria contínua dentro da cadeia de valor da carne. O GTPS existe porque a cadeia está junto, trabalhando em conjunto visando melhorar a produção e preservar os recursos naturais, de uma forma sustentável, para manter esses recursos para as próximas gerações”, destaca Ruy Fachini Filho, presidente do GTPS.

Workshop BeefPoint Gestão do Lucro

No dia segundo dia da InterCorte foi realizado o Workshop BeefPoint Gestão do Lucro na Pecuária de Corte, com palestras, estudos de caso e discussões sobre como medir e aumentar a lucratividade da fazenda. Durante todo o dia, seis palestrantes compartilharam seus conhecimentos sobre lucro e foram apresentados seis estudos de caso focados no tema. O valor arrecadado com a realização do evento foi revertido para o Hospital de Câncer de Barretos.

Encerramento Circuito InterCorte

A manhã do último dia foi marcada pelo painel “Brasil InterCorte – Os caminhos da pecuária para 2018”, que reuniu representantes de diferentes elos do setor para um debate sobre temas que foram destaque durante as etapas do Circuito InterCorte, além das expectativas para 2018.

Desde a sua criação em 2012, a InterCorte já contou com a participação de mais de 27 mil pessoas, a maior parte pecuaristas, em eventos que percorrem algumas das principais regiões pecuárias do País para levar informação, conhecimento e tecnologia. Em 2017, o evento passou por Cuiabá (MT) em março, Ji-Paraná (RO) e Campo Grande (MS) em julho, Araguaína (TO) em outubro, encerrando em São Paulo (SP). Com o tema principal “Entender para Atender”, o Circuito InterCorte 2017 teve a participação de 6 mil pessoas, a maior parte pecuaristas.

O pesquisador Thiago Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea-ESALQ/USP, destacou o papel do Brasil como um grande player mundial quanto à produção e comercialização de carne. “Temos uma visão otimista para o mercado em 2018. O Brasil está em evidência no cenário mundial, com muito espaço ainda para crescimento na comercialização de carne bovina. O grande desafio do setor para conquistarmos novos mercados é o planejamento e a gestão nas propriedades para garantir maior lucratividade e produtividade”, afirma.

Dentro do tema central do Circuito deste ano – “Entender para Atender”, a cria foi um dos assuntos que fizeram parte dos debates entre os participantes das cinco etapas, fator que foi um ponto positivo do evento, de acordo com o médico veterinário e proprietário da empresa Firmasa de Tecnologia para Pecuária, Luciano Penteado da Silva. “A cria é, sem dúvida, uma das etapas mais importantes do processo de produção, pois é a base da cadeia, mas ainda pouco valorizada pelos produtores. Dar destaque a esse aspecto foi muito positivo, pois levou informações e conhecimento aos produtores de diversas regiões, enfatizando a importância no investimento e tecnificação”, destaca Penteado.

O cenário político atual também foi destaque durante o painel, quando os participantes ressaltaram a importância de um setor unido e de líderes que representem a pecuária e seus interesses. “O setor precisa de uma estratégia e de representantes políticos que nos ajudem a defender as demandas da cadeia junto aos governantes. Temos bons exemplos em andamento, mas que seguem desconectados. Precisamos nos unir e caminharmos juntos para que haja uma liderança institucional forte que auxilie no desenvolvimento do setor”, aponta o Diretor-Executivo ACRIMAT, Luciano Vacari.

Sem dúvida, 2017 foi um ano muito difícil para a pecuária brasileira, mas também foi um período de muito aprendizado. Episódios como o da Carne Fraca nos deram a oportunidade de sermos auditados por diversos países do mundo e, com isso, comprovamos a qualidade do nosso produto. Esperamos um 2018 um cenário menos perturbado, mas com mais ânimo e com o desafio de ampliarmos nossa presença no mercado externo”, salienta o presidente da Estância Bahia Leilões, Mauricio Tonhá, dando a visão da comercialização.

Para o presidente da Fazen, Vasco Oliveira Neto, a pecuária está iniciando um processo de mudança, que será transformacional para positivo. “Temos que conseguir levar a tecnologia para o produtor junto com serviço, o que transformará a maneira que gerenciamos o nosso negócio, que compramos os nossos insumos e que vendemos o nosso gado. Seja no cenário externo do Brasil ou no interno da nossa pecuária, vejo muita coisa positiva acontecendo nos próximos 10, 15 anos”, acredita o CEO da startup.

Painel internacional

No último dia do evento, a InterCorte teve um painel internacional dedicado à análise do mercado global e apresentação de um panorama com os desafios e oportunidades do mercado mundial de carnes.

O painel foi aberto com uma palestra sobre os desafios no comércio global de carne bovina, ministrada por Alberto Bicca, representante da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), seguida pelo analista do Rabobank Brasil, Adolfo Fontes, que apresentou dados sobre o consumo mundial de proteína animal. Na sequência, um debate moderado pelo consultor Internacional de Governos e Empresas, Francisco Vila, sobre como organizar os mercados para atendimento do comércio mundial de carne bovina teve a participação de Márcio Caparroz, representando a Internacional Beef Alliance (IAB), Bruno de Jesus Andrade, representando a Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), Dennis Laycraft, em nome da Canadian Cattlemen’s Association – CCA, Francisco Manzi, pela ACRIMAT, Helder Höfing, representando a Sociedade Rural Brasileira e Cristian Lohbauer, doutor em Ciência Política pela USP.

Programação técnica

Além dos painéis, a InterCorte teve palestras oferecidas por empresas e instituições que trataram de temas, como cruzamento industrial, genômica, economia da pecuária, pastagens, drones, transformação digital e pecuária de precisão.

Espaço Degustação e Beef Week

Todos os dias, os participantes da InterCorte podiam degustar diversos cortes de carne bovina no Espaço Degustação #SomosdaCarne.

Enquanto o setor produtivo estava reunido no WTC para discutir melhorias, o consumidor foi convidado a conferir o resultado desse trabalho na Angus Beef Week em 17 restaurantes e duas lojas de carne da capital paulista, que ofereceram ao consumidor pratos especiais com cortes de animais Angus.

Feira de Negócios

A edição da InterCorte em São Paulo teve ainda uma feira de negócios com a participação de empresas de referência na pecuária, que apresentaram no evento suas inovações tecnológicas para tornar a pecuária cada vez mais produtiva e rentável. Participaram da InterCorte São Paulo as empresas Ourofino, AgroMaripá, Cargill-Nutron, Matsuda, Biogénesis Bagó, GTPS, ACRIMAT, Instituto de Zootecnia – IZ, Beckhauser, Mundial Bens, SBC Certificadora, Trouw Nutrition, Brutale, Toledo, Casale, CRI Genética, Deltagen, Wolf Seeds, Rubber Tank, ORO AGRI, ABCT – Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã, Illumina, Multibovinos, Minerthal, Balanças Açores, Estância Bahia, ABCB Senepol, Agrozootec, USP, Prodap, Panucci Pré Moldados, Allflex, Exacta Balanças, ANCP, Coimma, Horus Aeronaves, CV Mocho, Firmasa / Pec 4.0, Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental – Simbrasil, Associação Brasileira de Criadores Bonsmara e ABS Pecplan.

O evento teve também o Empório Beef Week, com a presença das empresas Pratico de Garça, Pardinho Artesanal, Leiteria Santa Paula, Estância Silvania, Fazenda Santa Luzia, Café Pieta e Parrilha SA.

Edição 2018

A edição de 2018 da InterCorte terá início em Cuiabá (MT), nos dias 12 e 13 de abril, finalizando com o Festival Braseiro, no dia 14. A InterCorte São Paulo será nos dias 21, 22 e 23 de novembro de 2018, no WTC Events Center e as demais etapas serão divulgadas em breve.

Sobre a InterCorte

Com realização do Terraviva Eventos, a InterCorte tem a curadoria de conteúdo da ASSOCON e GTPS. A InterCorte e a Beef Week fazem parte do “Integrar para Crescer”, plataforma de comunicação que envolve eventos e ações com o intuito de disseminar informação de qualidade, reverberando os temas e discussões relevantes ao setor em um programa semanal de mesmo nome, que vai ao ar aos domingos pelo Canal Terraviva, do Grupo Bandeirantes de Comunicação. O Caminho do Boi, Dia do Produtor, manifesto #SomosdaCarne e Interconf fazem parte da plataforma.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa.

Faeg: mercado frigorífico está mais diversificado e movimento deve se manter

Os eventos que abalaram o mercado pecuário no primeiro semestre deste ano, atingindo diretamente a maior indústria do segmento, a JBS, provocaram uma diversificação no setor, afirmam criadores. “Para quem é de São Paulo, enxergamos hoje mais opções para entregar gado”, afirmou Oswaldo Furlan Jr., coordenador do Grupo Pecuário Bauru (GPB).

Ele afirma que, ao longo do ano, frigoríficos de médio e pequeno portes ganharam mais espaço tanto na venda de carne no atacado, como na compra de gado com pecuaristas. Oswaldo cita o Barra Mansa, de Sertãozinho, em São Paulo, e o Better Beef, de Rancharia, ambos no interior de São Paulo, como exemplo.

O presidente da comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Negreiros Velloso, afirma que, em Goiás, o mercado também está mais diversificado este ano e que houve mudanças na forma de comercialização de gado. “Antes era mais raro e agora parece estar mais consolidada a venda do tipo ‘paga e leva'”, afirmou.

Segundo ele, frigoríficos menores chegam a pagar até R$ 2/arroba a mais do que o preço do mercado e à vista, o que acaba ganhando a preferência do pecuarista. Para ele, a diversificação do mercado é uma tendência que deve se manter no próximo ano.

No Estado de Goiás, o paulista Frigol acaba de arrendar uma unidade que estava desativada da Rodopa Alimentos, Cachoeira Alta (GO), que vai dar mais opções de escoamento de animais aos pecuaristas locais. Com a unidade, a Frigol aumenta em 25% sua capacidade de abate de bovinos, atingindo 60 mil cabeças/mês e 180 mil toneladas de carne/ano. A unidade, que estava desativada, processa carne resfriada e congelada, miúdos e subprodutos com capacidade para abater 600 bovinos/dia.

Fonte: Globo Rural

Usar somente o peso de desmama para avaliar se um bovino é bom ou ruim não é uma boa estratégia!

A escolha do material genético, principalmente touros e sêmen, ainda é feita de maneira displicente, sem o devido cuidado. Nestes casos, o que ocorre é um enorme desperdício dos recursos produtivos. E por que digo isso?

Porque fazendas bem gerenciadas e com manejo alimentar adequado, quero dizer, aquela fazenda que não deixa seus animais “perderem” peso, independente do período seco, têm condições de possuir um rebanho altamente produtivo, emprenhando bezerras Nelore aos 14 meses e abatendo os machos até os dois anos de idade com 20@ ou mais.

É por isso que para estes produtores, este fato realmente me intriga! E “matutando” em cima do fato, talvez o que falte sejam referências sobre a importância da genética.

Será que existem diferenças entre os animais?
Será que estas diferenças têm impacto no resultado da fazenda?
Qual a maneira correta de identificar a melhor genética?

Tentaremos responder estas perguntas com exemplos reais, que sirvam de referência para diminuir a negligência em relação à genética.

Na tabela 1 apresentamos as diferenças entre cinco bovinos com as seguintes características e que apresentam todos os pré-requisitos para poderem ser comparados e, respondendo à terceira pergunta: Qual a maneira correta de identificar a melhor genética?

– São de uma mesma fazenda – Agropontieri, de Goiatuba-GO, que participa do Programa Qualitas de Melhoramento Genético desde 2000;
– São os primeiros filhos de fêmeas Nelore que emprenharam aos 13 meses de idade;
– Nasceram todos no mesmo dia: 9/9/16;
– Foram criados nos mesmos pastos, do nascimento à desmama e da desmama até os 12 meses;
– Não receberam creep-feeding;
– Foram desmamados no mesmo dia: 18/4/17;
– Após a desmama ficaram em pasto de capim Marandú (braquiarão) de integração lavoura-pecuária, recebendo o produto “Petisco” da empresa Campo (proteinado de consumo de 0,1% do peso vivo);
– Foram pesados no mesmo dia: 28/9/17.

Tabela 1:
Pesos em quilos de machos da Agropontieri.

Com relação à primeira pergunta: Será que existem diferenças entre os animais?

Vejam que desde o nascimento os animais são diferentes, e quando levamos em consideração as correlações que existem entre os pesos dos animais de acordo com a faixa etária temos os seguintes padrões:

– Animais que nascem mais pesados “geralmente” são mais pesados à desmama, como é o caso do animal 17416. Mas o ideal é que o bezerro nasça leve e desmame pesado, como é o caso do animal 17816 ou mesmo o animal 17516.
– Animais que desmamam pesados “geralmente” ganham menos peso após a desmama, como é o caso do animal 17816. E o contrário também “geralmente” ocorre, aqueles que desmamam mais leves ganham mais peso após a desmama, como o animal 17616.

Mas o que mais chama a atenção são as diferenças entre os desempenhos dos animais 17516 e o 17316:

– 1 kg no nascimento – 3,33% a mais
– 9 kg à desmama – 4,12% a mais
– 81 kg aos 12 meses – 26,24% a mais
– 0,430 kg/dia de ganho ou 45,79% a mais

Como relação à segunda pergunta: Desde o nascimento os animais são diferentes, à medida que eles crescem as diferenças aumentam e a magnitude é tamanha que impacta diretamente no resultado financeiro da engorda dos dois animais.

Isso provoca uma boa reflexão: usar somente o peso de desmama para avaliar se um animal é bom ou ruim não é uma boa estratégia! Mas, infelizmente, o peso de desmama é a referência utilizada pelos produtores na escolha do sêmen que utilizarão em seus rebanhos. É comum o comprador, e principalmente o vendedor promover um touro pela qualidade dos seus filhos à desmama. Será que as perguntas corretas não seriam:

Seus filhos são bons ganhadores de peso após a desmama?
Seus filhos não nascem muito pesados, não teremos problemas de partos em novilhas? Ele produz fêmeas precoces sexualmente?
Esse touro produzirá os melhores bois gordos, os mais pesados, mais eficientes e mais lucrativos?

É, a genética ideal é mais complexa, e dificilmente teremos o touro perfeito para todas as características importantes, entretanto, é possível orientar a escolha para touros que, pelo menos tenham informações para estas características.

Neste texto apresentamos as diferenças em relação ao peso e ganho de peso dos animais. Nos próximos apresentaremos mais diferenças em outras características importantes, respondendo às perguntas importantes na hora de escolher a genética para o seu rebanho. E quem sabe, poderemos sensibilizar os produtores sobre a importância da genética para o seu negócio. Inté!

Confira a entrevista com Leonardo Souza na Intercorte 2017

 

Apresentação dos Resultados Financeiros da Faz. Mata Verde de Terra do Norte na Intercorte 2017

Confira também no dia 16 de novembro, a Apresentação dos resultados financeiros da Fazenda Mata Verde de Terra do Norte, no Mato Grosso. Mostrando os melhores resultados no Benchmarking Inttegra de 2017.

Excelente oportunidade para você pecuarista e especialista na área, se inteirar das últimas novidades do mercado.

IB possui o único laboratório brasileiro para produção

O Instituto Biológico (IB-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, possui o único laboratório brasileiro com capacidade para produzir imunobiológicos para diagnósticos de brucelose e tuberculose em animais, principalmente bovinos. Nesta sexta-feira (3), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) liberou um lote de 222.800 doses da tuberculina produzidas pelo Instituto Biológico.

Sem esses testes, não é possível a realização de compra, venda, trânsito e exportação de bovinos. A tuberculose é causada pela Mycobacterium bovis e acarreta prejuízos anuais estimados em US$ 3 bilhões em todo o mundo. A brucelose é decorrente da Brucella abortus e traz prejuízos da ordem de US$ 448 milhões no Brasil. O Instituto Biológico comemora seus 90 anos de atividade em 6 de novembro de 2017, em São Paulo, Capital.

Em outubro de 2017, o IB bateu recorde na produção de doses em uma única partida de imunobiológicos, com a liberação de 330 mil doses em uma única partida, sendo que cada frasco é constituído de 50 doses – um aumento de 65% na produção de doses. Outras partidas devem ser liberadas pelo Instituto em novembro deste ano.

De acordo com o veterinário do IB Ricardo Spacagna Jordão, o aumento no número de doses disponibilizadas por partidas é uma das estratégias do Instituto para aumentar a produção. Em 2016, o IB liberava 220 mil doses de tuberculina bovina por partida. No ano, foram produzidas 12 partidas. “Já estamos produzindo as partidas de 2018. A ideia é diminuir o número de partidas no ano e aumentar a produção de doses em cada uma delas, para podermos atender a demanda nacional”, explica o médico veterinário.

O IB também busca recursos junto a órgãos estaduais, federais, agências de fomento e iniciativa privada para aquisição de novos equipamentos de maior capacidade para produção de seu Laboratório de Produção de Imunobiológicos. “Esperamos conseguir esse recurso e triplicar nossa capacidade de produção. A ideia é conseguir produzir as 12 milhões de doses demandadas pelo mercado brasileiro”, afirma Jordão.

O Laboratório de Produção de Imunobiológicos do IB possui licença de funcionamento expedida pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e é certificado pela norma ISO 9001, que garante a qualidade dos produtos produzidos pelo instituto de pesquisa paulista. O IB comercializa os kits com imunobiológicos para 24 Estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Impacto

Segundo Jordão, estudos realizados em 2013 demonstraram que o prejuízo total da brucelose no Brasil foi estimado em U$ 448 milhões, o que equivale, hoje, a cerca de R$ 1,005 bilhão. A cada 1% de variação na prevalência, estima-se o incremento no prejuízo de U$ 77,85 milhões ou R$ 174,70 milhões no custo da brucelose bovina no Brasil.

“Dados indicam a brucelose como a responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e redução de 15% na produção de bezerros. Há ainda estimativas mostrando que a cada cinco vacas infectadas, uma aborta ou torna-se permanentemente estéril. Há estimativas de que animais contaminados percam de 10% a 25% da sua eficiência produtiva, além da perda do prestígio e da credibilidade da fazenda em há casos positivos de tuberculose”, afirma Jordão. A tuberculose e a brucelose são zoonoses, ou seja, podem contaminar os humanos. Os animais contaminados devem ser sacrificados.

“O Instituto Biológico realiza diversas diagnósticos e produz antígenos fundamentais para a economia brasileira. Os imunobiológicos são estratégicos para o País por diagnosticarem doenças importantes que barram a entrada do produto brasileiro no exterior. Em seus 90 anos, o IB tem trabalhado de forma sistemática em prol da sanidade animal e vegetal brasileira com o desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e prestação de serviços para o setor de produção. Ele está alinhado ao que nos pede o governador Geraldo Alckmin”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Fonte: AgroLink

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10/12/2019 | Scot Consultoria
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