Em minha opinião as três maiores vantagens são:
1) aumento do potencial de ganho de peso;
2) aumento da precocidade sexual e de acabamento;
3) aumento da habilidade materna.
Se isso realmente ocorre, porque este cruzamento não tomou conta de todo o território brasileiro? Acredito que o maior desafio dos selecionadores de Angus esteja em identificar touros resistentes ao carrapato. Infelizmente, o carrapato é o grande empecilho à difusão massificada do cruzamento no Brasil. Uma fazenda infestada de carrapatos é um verdadeiro caos em termos sanitários. Problemas com miíases (bicheiras) e as perdas produtivas causadas pela anaplasmose e babesiose (doenças do complexo tristeza parasitária) são capazes de tornar a atividade um completo desespero. Isso torna a manutenção de um rebanho com fêmeas cruzadas um grande desafio.
Entretanto, também em minha humilde opinião, acredito que seja possível explorar a segunda e a terceira maior vantagem que vejo no cruzamento e que estão diretamente ligadas às fêmeas.
O grande desafio da cria brasileira é diminuir a idade ao primeiro parto das matrizes, e a fêmea cruzada consegue corrigir este problema emprenhando aos 14 meses. E se receber a nutrição adequada desmamará um excelente bezerro aos 32 meses, idade em que a maioria das fêmeas brasileiras ainda estará entrando em reprodução. Portanto, somente engodar as bezerras ½ sangue Nelore-Angus é um grande desperdício de produtividade e dinheiro.
Neste sentido iremos descrever um sistema de produção que procura explorar ao máximo os benefícios do cruzamento proporcionando um resultado por hectare acima de R$ 500,00.
Neste sistema consideramos a compra de bezerras ½ sangue Nelore-Angus à desmama, que são recriadas à pasto com suplementação proteico/energética. Elas são inseminadas aos 14 meses com sêmen de Bonsmara em uma estação de monta de 84 dias com três IATFs.
Mas por quê Bonsmara? Porque ainda é possível explorar a heterose por ser uma raça com Taurina sintética adaptada e, portanto, não tem sangue indiano, sendo muito bem selecionada para desempenho e eficiência alimentar e com excelente qualidade de carne.
Mas como vocês verão, nos preços utilizados para o valor da arroba não há premiação por qualidade de carcaça, pois preferimos demonstrar o sistema com base somente em ganhos de produtividade.
As novilhas vazias são abatidas aos 20 meses de idade. As prenhes continuam à pasto e após o parto não são mais inseminadas, sendo abatidas em junho após a desmama. Os bezerros recebem creep-feeding a partir do 5o. mês de idade. Após a desmama os bezerros e bezerras continuam sendo suplementados e, a partir de julho, são confinados por 150 dias e abatidos. E assim encerra-se o ciclo de produção. Para exemplificar este sistema apresentamos os dados obtidos pelo Grupo Katispera, fornecidos por Diego Pallucci Pantoni:
– Machos filhos de touros Bonsmara em fêmeas ½ sangue Nelore-Angus
– Entrada no confinamento com 9 meses, em agosto de 2016, com 301,63 Kg
– Saída do confinamento com 14 meses, em dezembro de 2016, após 148 dias com 545,8 Kg
– Ganho de peso 1,670 kg/dia, rendimento de carcaça 53,52% e peso de carcaça 19,47@
Figura 1.
Sistema de cruzamento com abate das mães após à desmama e abate dos filhos aos 14 meses em confinamento
Tabela 1.
Cronograma de atividades.
Tabela 2.
Premissas zootécnicas e financeiras.
Tabela 3.
Avaliação financeira.
Como dissemos, não foi adicionado bônus ou prêmio por qualidade de carcaça ou de carne. Entretanto, se considerarmos um prêmio de 5% sobre o valor da arroba do boi para todos os animais abatidos, tanto machos quanto fêmeas, e diminuirmos os pesos dos machos de 20 para 18 @ pelo fato de castrarmos estes animais para atingir a qualidade de carcaça necessária, o resultado passa para R$ 758,92!
São essas vantagens que me motivam a recomendar este sistema. Isso não quer dizer que seja o único e o melhor, mas é o que conhecemos e já temos boas referências.
Uma outra boa raça para se obter a fêmea ½ sangue Nelore é a Hereford. Essa raça me chama a atenção por ter um projeto de pesquisa desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul, que considero de extrema relevância, que é a Seleção Genômica para resistência ao carrapato bovino. Os estudos iniciais mostram que realmente há variabilidade entre os indivíduos e que é possível selecionar para esta característica. Como dissemos, identificar touros excelentes em desempenho e que também sejam resistentes ao carrapato é imperativo para o aumento do cruzamento no Brasil, o que viabilizaria o verdadeiro aproveitamento das vantagens da tecnologia. Vale ressaltar, a seleção deve ser feita para o que realmente importa.
Grande abraço e inté!
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