Brasil lança 1º consórcio de gramíneas com leguminosas

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/ campus Rondonópolis) lançarão oficialmente o Sistema Gravataí, durante o Congresso Brasileiro de Sistemas Integrados de Produção Agropecuária. Trata-se de um consórcio de braquiárias com feijão-caupi destinado ao pastejo em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), sendo o primeiro une gramíneas com leguminosas indicado para solos de textura média e argilosa.

A pesquisa foi realizada durante três anos na Fazenda Gravataí, em Itiquira (MT) e resultou em um aumento no peso dos animais durante a safrinha e na melhor produtividade da soja. Edicarlos Damacena de Souza, professor da UFMT, afirma que no acumulado em três safras foi constatado um acréscimo de 20 sacas por hectare na oleaginosa e um ganho de 100 gramas a mais no peso dos animais por dia.

“Observamos que ocorreu um incremento na qualidade do solo, com aumento de matéria orgânica, principalmente carbono e nitrogênio total, e um incremento considerável na quantidade de microrganismos. A biomassa microbiana é cerca de três vezes maior do que em um pasto solteiro. Além disso, o incremento de atividade microbiana e o desenvolvimento das raízes promoveram uma descompactação do solo”, comenta.

Os pesquisadores explicam que o Sistema Gravataí pode ser implantado de três formas distintas. Uma delas é feita de maneira simultânea, utilizando uma semeadeira com terceira caixa onde são inseridas as sementes da forrageira e as outras fazem uso de duas operações sendo que uma é a semeadura direta em linha do feijão-caupi, com subsequente implantação do capim e a outra se refere ao plantio da braquiária a laço com a semeadura da variedade feijão feita diretamente em linha.

O sistema teve resultados positivos em braquiárias das espécies B. ruziziensis, B.  brizantha BRS Piatã e BRS Paiaguás. Segundo Francine Damian da Silva, professora da UFMT, todos os testes feitos demonstraram melhorias no incremento de proteína bruta na pastagem, apresentando apenas variação de massa de forragem e índice de ganho de peso.

“Tivemos um resultado de 100 g de ganho médio diário por animal nesse consórcio. O caupi entrou no sistema para aumentar o valor proteico da pastagem, assim como as melhorias que ele traz para o solo também. Nós atingimos seis arrobas por hectare a mais no consórcio com caupi”, conclui ela.

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