Porém, as adversidades econômicas que envolveram o país até meados de 1990, não permitiram muitos avanços na pecuária.
Até a década de 80, o mercado do boi era visto como uma válvula de escape para preservação de capital já que a economia estava em ruínas e a inflação em patamares fenomenalmente altos.
Esse cenário, consequentemente, manteve a produtividade média da pecuária abaixo de 1@/ha/ano.
Com o advento do plano real, a economia foi reconstruída e investimentos no setor começaram a serem feitos, retomando um processo de desenvolvimento na pecuária.
Evolução da produtividade
Ao longo dos anos a pecuária de corte passou por diversas mudanças e evoluções.
O pecuarista entendeu as pastagens como uma cultura agrícola, que deve ser manejada e adubada para melhor aproveitamento da terra.
O desenvolvimento de novas técnicas de manejo e uso de tecnologia permitiu a otimização da área já ocupada pela pecuária sem que houvesse a necessidade de expansão em novas áreas.
A partir de 1995 a área ocupada com pastagens começou a diminuir, enquanto o rebanho nacional continuava a aumentar. A taxa de lotação passou de 0,60 para 1,15 cabeça por hectare de 1970 para 2017 (IBGE). Um crescimento de 91,7%!
Figura 1.
Relação entre a área de pastagem e o rebanho brasileiro.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br
A produção de carne, por sua vez, foi gradativamente aumentando e passamos de 1,85 milhão de toneladas em 1970 para 9,90 milhões de toneladas em 2018 (USDA). Um crescimento estupendo de 435,1%.
Isso corresponde a um salto de produtividade de 0,92@/ha/ano para 4,40@/ha/ano, no mesmo período, veja na figura 2. Um crescimento de 378,3% em produtividade.
E, a atividade que era extensiva e extrativista melhorou os índices produtivos e reprodutivos do rebanho e ganhou espaço em âmbito internacional.
Figura 2.
Evolução da produtividade média no Brasil em @/ha/ano.

*Anos do gráfico de acordo com o censo agropecuário IBGE.
Fonte: IBGE / USDA / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br
Os gigantes da pecuária
A vantagem em relação aos concorrentes é gritante. Todas as características edafoclimáticas brasileiras facilitam a produção em pasto, o que torna a nossa produção competitiva comparada com os outros países, onde a maior parte dos bovinos precisa ser confinado durante a engorda.
A produtividade em 2018, em arrobas por hectare por ano, em pasto, nos Estados Unidos, maior produtor de carne do mundo, foi 3,10. Para a Austrália, grande referência no setor também, essa relação foi ainda menor, 0,45@/ha/ano (USDA e ABS).
O inverno rigoroso dos Estados Unidos e o deserto existente na Austrália não permitem que esses países sejam tão eficientes quanto o Brasil na produção em pasto.
Mas é importante ficar de olho em outros índices produtivos dos concorrentes para buscar eficiência.
Um bom exemplo é o peso médio da carcaça no Brasil que em 2018 foi de 250,6kg, enquanto que na Austrália e Estados Unidos foi de 278,9kg e 364,4kg, respectivamente.
Para ilustrar, a Scot Consultoria desenvolveu uma simulação demonstrando o potencial de aumento na produção de carne bovina nacional caso o Brasil possuísse os índices produtivos equiparados aos Estados Unidos e Austrália.
Figura 3.
Simulações do aumento na produção de carne nacional com índices produtivos comparados aos dos Estados Unidos e Austrália.

*Peso médio da carcaça australiana = 278,9kg.
** Taxa de desfrute dos EUA = 25,4%.
Fonte: USDA / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br
Nessas condições, se mantivéssemos a área de pastagem existente hoje, a produtividade média do Brasil saltaria de 4,4@ para 8,9@/ha/ano no cenário em que ambos os índices produtivos fossem melhorados.
Ainda temos um longo caminho a percorrer, e as possibilidades de aumento de produção, são enormes. O Brasil possui espaço, clima e as condições necessárias para que possamos melhorar a produção e nos tornarmos os mais eficientes e os mais competitivos internacionalmente.
Fontes:
Banco de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (UDSA).
Banco de dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Banco de dados Australian Burian Statistics (ABS).
Banco de dados da Scot Consultoria.
por Letícia Vecchi
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