O boi Bom, o Mau, o Feio e o Boi Qualitas

 

Ele conta a história de um pistoleiro misterioso e dois estrangeiros que, durante a Guerra Civil Norte Americana, decidem juntar forças para encontrar um tesouro escondido. Cada um conhece apenas uma parte da localização da fortuna, o que força esta parceria. O problema é que nenhum deles tem a intenção de dividir a riqueza. Essa é a sinopse que está no Google! Mas, independente da minha falta de criatividade, se você não viu, recomendo fortemente, tanto pela história, quanto pela fotografia e pela trilha sonora.

 

De antemão já peço desculpas pela ultrajante pretensão de parodiar o filme neste texto, tentando fazer uma analogia entre bois engordados à pasto com suplementação e os três protagonistas do filme.

 

A nossa história, por que nesse caso realmente aconteceu, se passou na Fazenda Mata Verde, pertencente à família Michels, em Terra Nova do Norte, MT e que é parceira do Nelore Qualitas desde 2010. Essa família tem o mérito de tocar um negócio com foco no lucro, que recebe a consultoria da Geagro/Inttegra e que se destacou no Benchmarking Inttegra da safra 2016/2017 ficando em 5º.lugar no indicador lucro/ha entre todas as fazendas que fazem ciclo completo (cria, recria e engorda), apresentando R$500,92 de rentabilidade por ha. Parabéns à família Michels que nós da Qualitas temos o privilégio de ter como parceiros e amigos.

Foto: senhores Aldolino, Nilson e Marcelo Michels da Fazenda Mata Verde.

Já os nossos protagonistas foram quatro bois que nasceram na segunda quinzena de abril de 2015, que foram criados juntos desde o nascimento até o abate (em 10 de agosto de 2017) e que seguiram o seguinte protocolo nutricional fornecido pela Fortuna Nutrição Animal:

 

– Do nascimento até a desmama – pasto + sal mineral (sem creep-feeding);
– Da desmama até o setembro de 2016 – pasto + suplemento proteico com consumo de 0,1% do peso vivo;
– De outubro de 2016 a março de 2017 – pasto + suplemento proteico energético com consumo de 0,5% do peso vivo;
– Abril e maio de 2017 – pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1% do peso vivo;
– Junho e julho de 2017 – pasto + suplemento proteico energético com consumo de 1,5% do peso vivo;

No gráfico 1 estão as curvas de crescimento dos quatro bois que representam os nossos protagonistas e que foram pesados mensalmente até o abate no início de agosto de 2017:

Gráfico 1.
Curvas de crescimento dos bois Bom, Mau, Feio e Qualitas – kg

Fonte: Qualitas – elaborado pelo autor

 

Olhando o desempenho dos bois alguns pontos chamam a atenção:

· Os bois Mau e Feio, foram desmamados aos oito meses com cerca de 200 kg e os bois Bom e o boi Qualitas com 240 kg.

· Da desmama, em abril até agosto de 2016 o ganho de peso foi baixo, principalmente nos bois Mau e Feio.

· A partir de agosto de 2016 até janeiro de 2017 o boi Mau apresentou o maior ganho de peso, se distanciando do boi Feio, mas insuficiente para alcançar o boi Bom e o boi Qualitas.

O que diferenciou o boi Qualitas do boi Bom foi a sua arrancada a partir de junho, disparando no ganho de peso e aumentando uma diferença de 4 kg para 35 kg a mais que o boi Bom.

 

Para ultrapassar 500 kg no abate aos 23 meses o boi Bom e o boi Qualitas apresentaram os seguintes pesos:

– 240 kg com 8 meses (abril/maio 2016);

– 270 kg com 13 meses (setembro 2016);

– 300 kg com 15 meses (novembro 2016);

– 390 kg com 18 meses (março 2017);

Portanto, essas são metas de desempenho se quisermos ter somente bois Bom e boi Qualitas na fazenda!

Para continuar nossa história, precisamos completar as informações sobre os quatro bois, avaliando financeiramente a engorda dos nossos cowbois.

 

Para isso, iremos apresentar os seguintes parâmetros:

– Custo de produção do bezerro = R$ 1.000,00;

– Custo mensal de produção = R$ 60,00/boi;

– Preço de venda por arroba, livre de Funrural = R$ 116,97;

– Rendimento médio de carcaça = 55,9%

Tabela 1

Vale ressalvar a imprecisão das informações pois, o custo de produção sofre a variação do consumo individual do pasto e dos suplementos. Cada boi pode e deve ter consumido uma quantidade diferente de suplemento, bem como de capim, mas infelizmente não foi medido o consumo individualizado para se chegar aos custos precisos de produção de cada animal.

Os rendimentos de carcaça também não estão individualizados por não ter sido medido o rendimento no abate de cada animal. Entretanto, pela magnitude de diferença dos pesos, dificilmente teríamos uma mudança drástica nos resultados financeiros.

Entretanto, as informações contidas da tabela 1 permitem as analogias feitas ao filme, o boi Feio, é aquele bandido que só pensa em passar a perna no fazendeiro, pois rouba o lucro dos outros bois. O boi Mau é aquele que apesar de apresentar lucro, deixa aquele desconforto no pecuarista, pois depois de tanto trabalho o resultado foi medíocre e se pensarmos bem, os resultados dos dois pistoleiros Mau e Feio se anulam, deixando o fazendeiro com o alforje vazio. A reflexão é a seguinte: “Será que vale a pena seguir com a engorda de bois Mau e Feio?”

Já o boi Bom fez a alegria do pecuarista e praticamente atingiu a meta do Sistema Qualitas de Produção que é 20@ com 20 meses à pasto! E para saber se o bezerro será um Boi Bom, é só verificar se ele está apresentando o desempenho de acordo com as idades descritas acima da tabela 1 ou mesmo no gráfico 1. Mas para isso meu amigo, você precisa fazer como a Fazenda Mata Verde e usar a ferramenta indispensável para o pecuarista, a balança para monitorar o desempenho do seu rebanho.

E o Boi Qualitas, esse é o suprassumo da boiada, não fosse o fato de ter apresentado circunferência escrotal muito baixa aos 15 meses de idade, ele não teria sido considerado um “fora da lei”, e ao invés de condenação à pena de morte, teria sido certificado como reprodutor pelo Programa Qualitas de Melhoramento Genético e propagado a sua riqueza de desempenho. Mas, sua infração grave o condenou e infelizmente o sonho de ser touro acabou! Mas ele representa um princípio muito forte para o Qualitas: o touro é o melhor boi gordo e o melhor boi gordo é o que dá mais lucro.

E em sua fazenda, qual a proporção de bois Bom, Mau e Feio de sua boiada? E os seus touros, foram selecionados por serem os que dão mais lucro?

Grande abraço e “inté”!

Autor

Leonardo Souza
Leonardo Souza
Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.

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